segunda-feira, 24 de maio de 2010

Pedro Bandeira, Cantador Brasileiro Dos Bons



Pedro Bandeira, cantador brasileiro dos bons, é hoje o homenageado do nosso “A Arte Do Meu Povo”. É mais um nome para nos dar orgulho, defensor/representante da nossa Cultura Popular.
Por isso pesquisei e tive a alegria de encontrar no site http://dd-vivendo-e-aprendendo.spaces.live.com/blog/cns!99A4381D7AFB77E4!265.entry e trazer para você essas palavras sobre o Poeta:




Pedro Bandeira Pereira de Caldas, nasceu a 1º de maio de 1938, no Sítio Riacho da Boa Vista, no município paraibano de São José de Piranhas, sendo filho de Tobias Pereira de Caldas (falecido) e da poetisa Maria Bandeira de França. É neto materno do famoso cantador nordestino Manuel Galdino Bandeira, de quem herdou o talento de repentista.
Aos 6 anos de idade fá fazia versos, e aos 19 tornou-se cantador profissional, apreciado e aplaudido por quantos o ouvissem, vez que os improvisos, nas várias modalidades da poesia popular: mourão, martelo agalopado, galope alagoano, galope à beira-mar, quadrão, gemedeira, etc., lhe jorravam da boca, aos borbotões...”
Pedro Bandeira, além de ser Poeta e Repentista, é licenciado em Letras, bacharelado em Direito, e fez parte do Poder Legislativo, como Vereador da Câmara Municipal de Juazeiro do Norte – Ceará.”




Agora algumas Obras de Arte desse mestre, para você se deliciar:

MATUTO DO PÉ RAXADO:

“Eu sou um paraibano
da cabeceira do Estado
Nasci numa cama velha
feita de couro de gado
Mamãe é uma matuta
do cabelo cacheado
Meu velho pai um marchante
do açougue pro roçado
Fui amansador de burro
Bom na foice e no machado
Com seis anos descobri
ser um poeta inspirado
Com dezoito viajei
andando a pé e montado
Escavaquei o Nordeste
cantando destambocado
Arribei da Paraíba
com a viola de lado
Vim parar no Juazeiro
por Padre Cícero chamado
Comecei cantar no Crato
pela Rádio convidado
Esse programa de rádio
me deixou famigerado
Resolvi fazer cordel
e poema apaixonado
Fiz supletivo, passei
depois fui vestibulado
Ingressei na faculdade
sou professor diplomado
Em outra universidade
fui em direito formado
Fiz o exame de ordem
sou também advogado
Tem dia que escrevo certo
tem hora que falo errado
Entrei no mundo político
consegui ser bem votado
Vereador duas vezes
na terceira fui roubado
Já me preparo pra quarta
porque sou desassombrado
Não tenho medo de público
por já ser acostumado
Aos fãs e aos eleitores
eternamente obrigado
Nem sou rico nem sou pobre
vivo nesse misturado
Trabalho pra ser autêntico
pra isso tenho cuidado
Sou o mesmo cantador
do tempo velho passado
Canto a trinta e sete anos
e ainda não estou cansado
Nunca encontrei repentista
que me deixasse calado
Como filho, esposo e pai
dei de conta do recado
Tem gente que me censura
porque não compro fiado
Amo a Deus e ao trabalho
o resto é papo furado
Sou homem de dois extremos
matuto e civilizado
Uns me xingam, outros me amam
Adoro quando me chamam
MATUTO DO PÉ RAXADO.”




versos matutos

“No dia qui eu tou cá peste
Eu não sei nem quem sou eu,
Sou um fio do Nordeste
Que por descuido nasceu.
Cabôco do pé da serra
Fio legítimo da terra
De Inácio da Catingueira,
Juvená do Picuí,
De Zé Duda do Zumbí
E Mané Gardino Bandeira.

Sou um dos fí de Jesus
Qui nasceu por um arranjo,
Na terra de Zé da Luz
E de Argusto dos Anjo.
Sou do mesmo tabuleiro
Onde Pinto do Monteiro
É o primeiro da lista,
Cantador de desafôro
Tirando lapa de couro
Do rabo de repentista.

Sou dos cabra do Teixeira
Do sertão véi sem imprêgo
Da terra de Zé Limeira,
E dotô Zé Lins do Rêgo.
De Zé Américo de Armêida
Orador da voz de seda
Político da linha boa.
Sou cantadô das coivara
Do sertão das Ispinhara
A capitá João Pessoa.

Sou um doido da viola
Repentista vagabundo
Como um jumento sem bola
Sorto no ôco do mundo.
Bibí água do riacho
Onde todo cabra macho
Se acorda de madrugada
Sou um matuto pai-dégua
Nasci na Baixa da égua
Perto da tába lascada.

Sou um cabra resorvido
Bicho sem assombração
Poeta véio nascido
No miolo do sertão.
Sou neto de João Mandióca.
Cumpadre de Cobra Choca.
Mês de maio é o mês meu.
Me batisei em oitubro
Vou ver se ainda descubro
Onde a garrota morreu.

Sou do cabo da enxada,
Neto que dá língua a vó.
Cabra da rede rasgada
E um buraco no lençó.
Sou da terra de Ugolino,
Famia de Ontôe Sirvino,
Parente de Lampião.
Colega de Zé Catôta,
Romeiro véio da gôta
Do Padre Cícero Romão.”





AMOR DE DOIDO

“Quero bem a minha doida
Minha doida me quer bem
E eu não troco a minha doida
Por a doida de ninguém.

Eu gosto tanto de doido
Que fiquei doido também,
Nem um doido conta os doidos
Que a casa da gente tem,
Corre doido atrás de doido
Doido vai e doido vem,
Se for pra tanger os doidos
Não fica eu nem ninguém.

Quero bem a minha doida
Minha doida me quer bem
E eu não troco a minha doida
Por a doida de ninguém.


Ela sozinha endoidece
Eu endoideço sozinho,
Corre o doido atrás da doida
Dois doidos num só caminho,
Eu dou um beijo na doida
A doida me faz carinho,
Toda noite é um abraço
Todo ano é um doidinho.






Quero bem a minha doida
Minha doida me quer bem
E eu não troco a minha doida
Por a doida de ninguém.


Eu sou um doido jeitoso
Ela é uma doida bela,
Ela endoideceu por mim
Eu endoideci por ela
Ela me botou doidice
Eu botei doidice nela,
Que o remédio de uma doida
É um doido no rastro dela.

Quero bem a minha doida
Minha doida me quer bem
E eu não troco a minha doida
Por a doida de ninguém.”






"E VIVA A ARTE DO MEU POVO!!!"

5 comentários:

  1. DENÚNCIA: SÍTIO CALDEIRÃO, O ARAGUAIA DO CEARÁ – UMA HISTÓRIA QUE NINGUÉM CONHECE PORQUE JAMAIS FOI CONTADA

    "As Vítimas do Massacre do Sítio Caldeirão
    têm direito inalienável à Verdade, Memória,
    História e Justiça!" Otoniel Ajala Dourado



    O MASSACRE DELETADO DOS LIVROS DE HISTÓRIA


    No município de CRATO, interior do CEARÁ, BRASIL, houve um crime idêntico ao do “Araguaia”, foi a CHACINA praticada pelo Exército e Polícia Militar em 10.05.1937, contra a comunidade de camponeses católicos do SÍTIO DA SANTA CRUZ DO DESERTO ou SÍTIO CALDEIRÃO, cujo líder religioso era o beato "JOSÉ LOURENÇO GOMES DA SILVA", paraibano negro de Pilões de Dentro, seguidor do padre CÍCERO ROMÃO BATISTA, encarados como “socialistas periculosos”.



    O CRIME DE LESA HUMANIDADE


    O crime iniciou-se com um bombardeio aéreo, e depois, no solo, os militares usando armas diversas, como metralhadoras, fuzis, revólveres, pistolas, facas e facões, assassinaram na “MATA CAVALOS”, SERRA DO CRUZEIRO, mulheres, crianças, adolescentes, idosos, doentes e todo o ser vivo que estivesse ao alcance de suas armas, agindo como juízes e algozes. Meses após, JOSÉ GERALDO DA CRUZ, ex-prefeito de Juazeiro do Norte/CE, encontrou num local da Chapada do Araripe, 16 crânios de crianças.


    A AÇÃO CIVIL PÚBLICA PROPOSTA PELA SOS DIREITOS HUMANOS


    Como o crime praticado pelo Exército e Polícia Militar do Ceará é de LESA HUMANIDADE / GENOCÍDIO é IMPRESCRITÍVEL conforme legislação brasileira e Acordos e Convenções internacionais, a SOS DIREITOS HUMANOS, ONG com sede em Fortaleza - CE, ajuizou em 2008 uma Ação Civil Pública na Justiça Federal contra a União Federal e o Estado do Ceará, requerendo: a) que seja informada a localização da COVA COLETIVA, b) a exumação dos restos mortais, sua identificação através de DNA e enterro digno para as vítimas, c) liberação dos documentos sobre a chacina e sua inclusão na história oficial brasileira, d) indenização aos descendentes das vítimas e sobreviventes no valor de R$500 mil reais, e) outros pedidos



    A EXTINÇÃO SEM JULGAMENTO DE MÉRITO DA AÇÃO


    A Ação Civil Pública foi distribuída para o Juiz substituto da 1ª Vara Federal em Fortaleza/CE e depois, para a 16ª Vara Federal em Juazeiro do Norte/CE, e lá em 16.09.2009, extinta sem julgamento do mérito, a pedido do MPF.



    RAZÕES DO RECURSO DA SOS DIREITOS HUMANOS PERANTE O TRF5


    A SOS DIREITOS HUMANOS apelou para o Tribunal Regional da 5ª Região em Recife/PE, argumentando que: a) não há prescrição porque o massacre do SÍTIO CALDEIRÃO é um crime de LESA HUMANIDADE, b) os restos mortais das vítimas do SÍTIO CALDEIRÃO não desapareceram da Chapada do Araripe a exemplo da família do CZAR ROMANOV, que foi morta no ano de 1918 e a ossada encontrada nos anos de 1991 e 2007;



    A SOS DIREITOS HUMANOS DENUNCIA O BRASIL PERANTE A OEA


    A SOS DIREITOS HUMANOS, como os familiares das vítimas da GUERRILHA DO ARAGUAIA, denunciou no ano de 2009, o governo brasileiro na Organização dos Estados Americanos – OEA, pelo DESAPARECIMENTO FORÇADO de 1000 pessoas do SÍTIO CALDEIRÃO.


    QUEM PODE ENCONTRAR A COVA COLETIVA


    A “URCA” e a “UFC” com seu RADAR DE PENETRAÇÃO NO SOLO (GPR) podem localizar a cova coletiva, e por que não a procuram? Serão os fósseis de peixes do "GEOPARK ARARIPE" mais importantes que os restos mortais das vítimas do SÍTIO CALDEIRÃO?



    A COMISSÃO DA VERDADE


    A SOS DIREITOS HUMANOS busca apoio técnico para encontrar a COVA COLETIVA, e pede que o internauta divulgue a notícia em seu blog/site, bem como a envie para seus representantes no Legislativo, solicitando um pronunciamento exigindo do Governo Federal a localização da COVA COLETIVA das vítimas do SÍTIO CALDEIRÃO.


    Paz e Solidariedade,



    Dr. Otoniel Ajala Dourado
    OAB/CE 9288 – 55 85 8613.1197
    Presidente da SOS - DIREITOS HUMANOS
    Editor-Chefe da Revista SOS DIREITOS HUMANOS
    Membro da CDAA da OAB/CE
    Especialista em Psicologia Jurídica
    www.sosdireitoshumanos.org.br
    sosdireitoshumanos@ig.com.br
    http://twitter.com/REVISTASOSDH

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  2. nossa vc e muito sortuda...ter um vô desses e pra se orgulhar msmo.

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  3. seu doedo na onde ta o livro o meu nelho

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  4. Eu, enquanto Caririense, Filho de Porteiras-Ce. E radicado em Juazeiro onde passei toda a minha juventude e parte da infância, repugno o massacre de Caldeirão, conheço a história e cada novo documento a respeito, leio e o arquivo em meu arquivo particular, na esperança que a justiça seja feita com os sobreviventes e descendentes daquela gente, cujo genocídio promovido pelos poderosos da época, forma a página negra da história do Ceará. Tal qual os fatos de horrores acontecidos em Canudo na Bahia. Torço para que a justiça possa ser feita, principalmente aos sobreviventes ainda vivos, se é que ainda existem."Poeta J. Pinheiro"

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