terça-feira, 15 de novembro de 2011

Cordelista José Augusto E A Sua Corda De Cordel

Hoje o “A Arte Do Meu Povo”, tem o prazer de apresentar para você o Poeta-cordelista


José Augusto, riograndense dos bons e poeta popular de mão cheia, Augusto é um incentivador da nossa cultura popular nordestina.




Com você...

"José Augusto Araújo da Silva é poeta-cordelista e professor da rede estadual/RN. Nasceu em Patu, mas sempre viveu em Belém do Brejo do Cruz-PB, até se mudar para Mossoró em 1995. É Teólogo, é Bacharel em Direito e cursou Letras até o 7° período. Publicou seus primeiros cordéis em 2007, e, desde então, não parou mais. Em 2008, idealizou e inaugurou a Cordelteca Poeta Luiz Campos na Escola Estadual Prof. José Nogueira; em 2010 colaborou para a criação da Cordelteca Poeta Crispiniano Neto na Escola Estadual Prof. Eliseu Viana. José Augusto já publicou vários cordéis. Entre eles está o cordel “Novo Acordo Ortográfico” que foi premiado pelo Ministério da Cultura, através do Prêmio Patativa do Assaré – Edital 2010. Também em 2010 participou na cidade de Barbalha-CE, de um encontro de poetas promovido pela Organização das Nações Unidas-ONU para produzir o Relatório de Desenvolvimento Humano no Brasil no formato de cordel.E em 2011 foi classificado para participar do 2° Concurso de Literatura de Cordel de Caruaru realizado pela Academia Bresileira de Literatura de Cordel-ABLC."

Parabéns poeta e continue nessa nossa boa-luta pela valorização da nossa brasilidade, brasileira do Brasil.
Se quiser conhecer mais sobre o poeta José Augusto e também sobre notícias de e do cordel, conheça o blog "Uma Corda De Cordel" através do endereço: http://cordeljoseaugusto.blogspot.com/

"E VIVA A ARTE DO MEU POVO!!!!!"

domingo, 13 de novembro de 2011

Maria Encantada




Para não ficar muito tempo sem postar no "A Arte Do Meu Povo", aqui está a minha última criação, uma viajem mistica pelo mundo das cidades do interior do Nordeste brasileiro.
Prometo,assim que a minha vida voltar ao normal, retornarei com toda força a alimentar o blog com o que há de melhor na nossa cultura brasileira do Brasil.


Maria Encantada
Nivaldo Cruz – outubro de 2011




Bem lá em cima, no céu
Eu ví Maria avuá
Sem asa, sem avião,
Sem ter onde ela pegá.
Maria tava encantada,
Não era pra duvidá.

Tudo cumeçô um dia
Quando ela viu, ele chegá
Era um moço bem vistoso
Nunca visto naquele lugá,
Era genti diferenti,
Já paudia disconfiá.

O moço veio , chegô
E foi pra igreja rezar.
A curiosidade tomô conta
Di todos daquele locá,
Principalmente Maria, qui
Cumeçô se apaixoná.

Seria ele um padre novo?
Porque padre José tá idoso.
Ou tava era fugindo,
Podia ser um criminoso.
Ele podia ser um tudo
Duvidar num era custoso.

Maria era moça nova,
Bunita e sonhadora,
Acreditava nos romance
Que lia a professora
E das histórias de cordel
Também era admiradora.

Vivia num mundo,
Cheio de fantasia e encanto,
De Principes, plebeus, reis,
Anjo, querubim e santo.
De palácios, tronos, reino,
Coroas, cedro e manto.

Desde pequena,
Ela vivia era assim,
Sabia de cor as histórias,
Contava tim tim por tim tim,
Cada vírgula, cada ponto,
Cada meio e cada fim.

A maioria das pessoas
Achavam ela diferente,
Gente estranha, gente de casa,
Dsconhecido e parente.
Todo mundo dizia que a moça
Não vivia no mundo da gente.

Só o seu padrinho de pia,
A entendia perfeitamente,
Por isso era o seu
Grande amigo e confidente.
Só ele sabia o que se passava
Na cabeça daquela adolescente.

Dimdim Patricio,
Era um homem letrado
O único naquela região
Por isso bem respeitado,
Ele via na sua afilhada
Um ser privilegiado.

-Essa menina é um
Verdadeiro encanto!
Exclamava admirado
Por todo e qualquer canto,
E a sua admiração
Causava muito espanto.

Pois naquele lugar
Ninguém pensava igual,
Para todo mundo alí,
A menina era uma anormal,
Nada tinha de admirável
Nem se quer de natural.

Se não fosse a tão
Grande admiração e respeito
Pelo homem educado,
Todos achariam um jeito
De enternar a coitada pois
O estado de loura era avançado.

Essa era a opinião
Do povo em geral,
Até os pais da menina
Pensavam de jeito igual,
Achavam que o compadre
Também sofria dealg um mal.

A menina Maria
Via o mundo diferente,
Pelo seu ponto de vista
A maldade tava ausente
E o mundo lhe dava
Tudo, tudo de presente.

Não era ambiciosa
Tudo a contentava
Se tinha, era bom!
Se não tinha, não ligava.
O seu mundo maravilhoso
Sempre belo continuava.

Maria desde pequena
Tinha um prescentimento
Que do céu alguém olhava
Lhe dando contentaento.
Tinah essa certeza
Que batia cem por cento.

Tava olhando sim,
Era a certeza de Maria,
Isso era presente
Toda hora, todo dia
E a cada momento,
Bem mais forte sentia.

O que era aquilo,
Ela não sabia falar,
Só sabia que era bom
E que a certeza ia aumentar
Até que um belo dia
Essa coisa ia chegar.

Ela sabia que a tal coisa
Do céu ia descer
Que um dia na frente dela
Ele iria aparecer e
Naquele momento
Tudo ia esclarecer.

Maria cresceu,
O tempo passou
E a certeza dela
Só aumentou,
Tudo isso só
Ao padrinho confidenciou.

Numa noite enluarada,
Bem bonita do sertão.
Aconteceu algo no céu
Que chamou a atenção
Da moça Maria e
De mais ninguém nesse chão.

Da janela do quarto,
Maria pro céu olhava,
Quando percebeu que
Alguma coisa mudava.
Uma estrela agitada,
Para a moça dançava.

E nessa dança, das outras
A estrela desprendeu
E tava vindo para a terra
Como acontecia no sonho seu,
Era chegado o momento,
Foi o que ela percebeu.

A estrela veio, veio
Até que Maria pode ver,
Ela caiu bem alí
Pros lados do amanhecer,
Daqui a pouco ela vem
Bem aqui para min ver.

Maria pensou, e outra não deu
Quando a barra do dia raiou
Já tava aquele escarcéu
Por causa doe stranho que chegou
E foi para a igreja matriz
Lá entrou e se trancou.

Todo mundo saber
Mais informações queria,
Mas só a aluada Maria
Só e somente ela sabia,
Quem era aquele
E o que ele lhe trazia.

Na praça da matriz
Estava toda a multidão,
A cidade estava alí,
Todo mundo de prontidão,
Para saber quem era
Aquele diferente cidadão.

Derepente a porta da igreja
Se abriu de uma vez só
De lá saiu uma luz forte que
Cegava que nem o sol,
No meio dela um rapaz que
Num parecia vindo do pó.

Olhou no meio d a multidão
A jovem Maria, lá reconheceu
Foi até ela, sem em ninguém tocar
O povo não acreditou no que aconteceu,
Chegando perto dela, ele
A abraçou e um beijo lhe deu.

Maria começou a brilhar
Do chão subiu, levantou
Para o céu foi voar.
Essa é a história doutor
Da Maria encantada,
Pode espalhar por favor.

sábado, 22 de outubro de 2011

Quero Muito Bem Querido



Esses dias, escutando o grande poeta Jessier Quirino, resolví fazer uma poesia inspirado no seu jeito único de verserjar.
Longe de mim chegar aos pés do mestre, porém, a vontade veio e acabei compondo esse trabalho que segue abaixo.
Devo acrescentar que não faz parte do meu estilo, como quem me conhece sabe. Por isso mesmo, faço questão de coloca-la aqui no "A ARTE DO MEU POVO".
Com vocês...

Quero muito bem querido
Nivaldo Cruz - 2011


Quero ver o verdejar
Do belo amanhecer,
revigorar as forças
Do nosso entardecer.

Quero ver o orvalhar
Das folhas da campina,
Molhar a Selva de Pedra
Que se vê lá da esquina.

Sentir o bom perfume
Das flores nossas e nuas,
Invadindo todas as casas
Dos Becos de suas Ruas.

Quero ver o sabor
Da Roça saboreado,
Nos quatro cantos
Por quem é alimentado.

Sentir a simplicidade,
Muito bem matutada,
Em cada ato na dita
Cidade “civilizada”,

A humildade chegando,
Devagar e humildemente,
E em cada canto
Se fazendo bem presente.

Quero todo o mundo,
Muito do bem mundiado,
Vivendo poeticamente
Sem precisar ser remediado.

domingo, 9 de outubro de 2011

Tristezas Di Cantadô



Olha aqui, mais uma do livro “Istóras di Cantadô”. Espero que gostem!

Tristezas Di Cantadô
Nivaldo Cruz – 1992


Cuma cantadô di viola
Eu posso cuntá procêis agora
Du meu sertão munthas istóra,
Istóras bunitas qui num
Ixiste mais agora.
I inté istóras di fechá os zoio
Di Nossa Sin´ora.
Cuntá causo de rachá u chão,
De muntho coroné qui tin´a
Coisa cum Cramunhão.
Cuntá todos ABC du Virgulino capitão,
Héroi du meu sertão
I bandidu pras puliça,
Lampião.
Causo dus macaco borrão,
Us cabra qui intrava nas força
Prumode passá pur machão.
Das donzela fogosa du Chapadão,
Dus revortado di 25 inté
Du anu di 30 na rivulução.
Causo de muntho sertanejo verdadêro,
Qui lutô junto di Anton´i Conseiêro.
Óia seu dotô, meu sertão,
Já foi rico de istóra,
Mas tudo se acabô agora,
Muntha gente debandô pru sur
I us qui ficáro só trabaia pru mode cumê.
Agora ispia voismicê,
Dispois di tanta aligria
Meu sertão ficô a mercê.
Só ficô nois cantadô,
Prumode relembrá us ABC.



“E VIVA A ARTE DO MEU POVO!!!!”

sábado, 24 de setembro de 2011

Precupação Di Um Matuto

O “A Arte Do Meu Povo”, volta com a série Istóras Di Cantadô. Livro que escreví em 1992, através do SOS-Movimento Editorial Alternativo, um projeto do saudoso mestre Manoel de Christo Planzo.Espero que você goste.





Precupação De Um Matuto (Nivaldo Cruz-1992)



Óia, seu moço
Qui mi nasceu
Um caroço
Na artura da bunda,
O danado coça qui só!
Já min disséro q´era treis sor.
Duvido, pru que nunca ví
Treis sor nesse lugá,
Mais Cuma tudo tá mudado
Tem`io medo de duvidá,
Já tem cabra cortano us troço
Pru mode mulé virá,
Já tem mininu nasceno in garrafa
Sem di mãe pricisá.
U mundo tá todo virado,
Nois num sabe adonde tá.
Só sei, qui nois só faiz
U qui us gringo mandá,
Só sei, qui tem póbe morreno,
Pru mode us grande inrricá.
Só sei, qui tem mininu cum fome,
Nas rua sem tê adonde morá.
I u meu caroço num para de coçá!
Tem um cumpadi meu, diputado
Qui roba tanto, qui num tem
Mais adonde butá.
Já tem aqui no arraiá,
U Chico Lumbriga,
Qui si num achá din´êro prus remédio
As verme vão matá.
Achu mió percurá
Um dotô na capitá
Pru meu caroço curá.
I a situação dus povo,
Dêxo nas mão di Deus,
Só ele pode ajustá.



“E VIVA A ARTE DO MEU POVO!!!”

sábado, 17 de setembro de 2011

O Lobisomem E O Coronel

Dando uma pequena pausa na série “Istóras di Cantadô”, o A Arte Do Meu Povo, homenageia o trabalho maravilhoso de Ítalo Cajueiro, Elvis Kleber e toda equipe da Exemplus Filmes, através do curta-metragem , “O Lobisomem e o Coronel”.




Não se tem maiores detalhes sobre esse maravilhoso trabalho. Por isso, quem possuir alguma informação sobre ele, ou sobre os seus autores por favor pode enviar, que será um prazer falar mais de coisa tão boa.
É a nossa cultura popular através das novas ferramentas da comunicação. Nem tão novas, mas diferentes de onde estamos acostumados a ver a nossa boa cultura nordestina.
Mais uma vez: Parabéns Ítalo!! Parabéns Kleber! Parabéns a todos os apaixonados pela nossa brasilidade, brasileira do Brasil.


“E VIVA A ARTE DO MEU POVO!”

sábado, 10 de setembro de 2011

Fío Du Chão

Continua a série “Istóras Di Cantadô”, no A Arte Do Meu Povo. Como já disse, é um livro escrito por mim e editado pelo SOS – Movimento Editorial Alternativo, do saudoso mestre Manoel de Christo Planzo, no ano de 1992. Espero que goste de mais essa istóra.





Fío Du Chão
(Nivaldo Cruz – 1992)


Óia dona moça,
Eu tô vino du sertão,
Tô vino pra viver,
Mas eu sô fío du chão.
Na min´a terra
U sor mata min´a gente,
Acaba cum as prantação,
U sor é pai du fogo
I eu, fío du chão.
Nu peito trago umá dô,
Acho qui é sardade dus irmão.
Sabe dona moça?
Quano eu era piquenu,
Num quiria tê patrão.
Mas ôje pru mode
Num morrê di fome,
Min intrego a iscravidão.
Eu trabaio nessa construção,
Mas na verdade eu sô mermo
É fio du chão.


"E VIVA A ARTE DO MEU POVO!!!"