sexta-feira, 23 de agosto de 2013

A Confusão do Tabaco da Véia

Amigos e amigas eis aqui o meu mais novo trabalho. É uma brincadeira mostrando maliciosidade pura e até inocente do meu povo do sertão nordestino bresileiro!




A Confusão do Tabaco da Véia
Nivaldo CruzCredo – 22.08.2103

Numa décima em forma de estrutura
Vou contar uma graça que aconteceu
Com um velho que é amigo meu
A mais simpática e alegre criatura
Tava ele vendendo raspadura
Lá no mei do mercado municipal
Quando apareceu um bruto animal
Ofendendo com toda ingnorância
Se achando de muita importância
Querendo ser aquele senhor tal.

Um rapaz de boa aparência
Não suportou e lhe deceu o porrête
Foi aí que começou o cacete
Depois de toda aquela indecência
Apareceu vindo lá da intendência
Um guardinha da cara de otário
Que se não fosse naquele horário
Ele taria era longe do serviço
E não ia acabar com o rebuliço
Que já tava ficando era precário.


- Chegou a nossa otoridade!!
Gritou Zé que tava era melado
Cheio de cana lá do mercado,
Mas falou com uma sinceridade
Que até parecia ser verdade
Q' ele tivesse aquele tão respeito
Pelo tal quebra-faca do prefeito,
Foi momento cheim de graça
No meio daquela arruaça
Qu'era prova de muito desrrespeito.

O guardinha foi chegando
No mei daquela prezepada
Sem dizer sequer um nada
Toda gente foi empurrando
Foi aí que até quando
O Rapaz de boa aparência
Acertou uma diligência
No tirado a dono do mundo
Que o bendito vagabundo
Quase perde a sua conciência.


Deu uma vuadora retada
Passou por cima do guardinha
Se estatalou lá na mesinha
Que era usada por bancada
Pela velha dona Marivalda
Mulé braba do finado José
Que vendia muitopó de Rapé
Alí naquele lugar da feira,
O negóço num foi brincadeira
Acredite o sinhor se quiser .

O cabra caio de cheio
No mei da mercadoria
Fez uma grande estripulia
Bem lá naqueles meio
O negócio foi, foi feio
Que o produto avuô
E veja o sinhor seu dotô
Onde o danado caiu,
Todo mundo alí riu,
Um séro se quer sobrô.

O tal do tabaco da viúva
Tinha tanto lugar pra cair
Mais achou de pousar logo alí.
Tinha a banca cheia de uva
Ou a barraca da dona Ruiva
Mas caiu num lugar sem jeito
No mei um mói de Picão Preito
Na banca de Ton'i Raizeiro
Pai de santo, candoblezêro
E homi de muito respeito.

Num teve quem segurasse
E num desse uma boa rizada
Daquela situação inesperada
Nem quem alí esperasse
Tinha até que duvidasse
Que aquilo acontecêsse
Que produto alí decêsse
E provocasse a tal situação
O tabaco no mói do picão!
Imagine só o interesse.

Desse momento pra frente
Niguém ligava mais para a briga
Nem queria saber da intriga
Era a tal da cena somente
O assunto alí referente,
- Olha o lugar onde o tabaco caiu!
Gritou o bocudo do muleque Tiziu
A gargalhada foi uma somente
Foi rizarada de toda gente.
Quem tava lá logo sirriu.

O sacristão e o seu padre
Num foram os diferente
Cairam na rizada com toda gente
A cumade e o compadre,
E até a freirinha e a madre
Tudo se afroxô e se derreteu
Com o acontecido que aconteceu
No mei do mercado naquela feira
Era pra ser briga virou brincadeira
E bem foi assim que assucedeu.

O danado do cabra brigão
Ficou foi desorientado
Olhava pra tudo que é lado
E ninguém lhe dava atenção,
O que tava caído no chão
Ficou como cachorro fugido
Sem entender o acontecido
Pois foi ele que a situação gerou
Mas não sabia como provocou
Nem onde tinha caído.

O guardinha feito pateta
No meio daquilo tudo
Ficou besta, ficou mudo
Porque longe de ser poeta
Mais longe de ser profeta
Preferiu num entender
Pra não ter que ir prender
O culpado daquela zuada.
Ou daquela atrapalhada,
Ele nem queria saber.

Equanto a gozação imperava
O guardinha se picou
O que tava caído levantou,
O rapaz bom se ajeitava
A viuva de raiva berrava
O raizeiro sem jeito pedia
Mais respeito naquele dia
Foi aí que o prefeito chegou
E logo que viu perguntou
O motivo da tal rizadaria.

Um engraçadinho gritou então.
E o povo riu ainda mais
Os da frente e os de trás
- Foi o tabaco que caiu no picão!
O prefeito arregalou o zoião
E foi logo dizendo com grosseria
- Me respeite , deixe de ozadia!
Senão mando lhe prender
Aí você vai é bem ver
Onde acaba essa sua leutria.

O padre saiu para defender
Aquele paroquiano ozado,
Mas que não carregava o pecado
De o prefeito querer ofender,
Na verdade ele só fez foi dizer
O que alí tinha acontecido
Foi de um jeito bem lutrido,
Mas foi como o fato se deu
Assim o prefeito entendeu
E o caso ficou resolvido.

Mas a confusão num acabava
A viúva queria saber e ouvir
O seu prejuízo quem ia cobrir,
O raizeiro o mói de picão limpava,
Aí o povo todo ria e espirrava
Com a força daquele tabaco
E não tirava da cabeça um taco
de toda aquela lembrança
Aí é que sorria até velho, e criança
Até mesmo o doente e o fraco.

3 comentários:

  1. Êita zorra! meu fio. bom demais!

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  2. kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk muito boa, ri horrores aqui

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