sábado, 13 de outubro de 2012

O Messias Dos Ricos... De Humildade





As informações aqui contidas,  sobre o mestre, forma encontradas no site http://www.nossosaopaulo.com.br/Reg_SP/Barra_Escolha/B_EcaDeQueiros.htm e são as seguintes:



“Diplomata e escritor muito apreciado em todo o mundo e considerado um dos maiores escritores portugueses de todos os tempos, Eça de Queirós nasceu José Maria Eça de Queirós, em Póvoa de Varzim-Portugal, no dia 25 de Novembro de 1845. Seu nome muitas vezes tem sido, de forma equivocada, grafado como "Eça de Queiroz".
Eça de Queirós morreu em Paris-França, no dia 16 de Agosto de 1900 (Funeral em Lisboa - 17 de Agosto)



Era filho do Dr. José Maria Teixeira de Queirós, juiz do Supremo Tribunal de Justiça, e de sua mulher, D. Carolina de Eça. Depois de ter estudado nalguns colégios do Porto matriculou-se na faculdade de Direito da Universidade de Coimbra, completando a sua formatura em 1866. Foi depois para Leiria redigir um jornal político, mas não tardou que viesse para Lisboa, onde residia seu pai, e em 1867 estabeleceu-se como advogado, profissão que exerceu algum tempo, mas que abandonou pouco depois, por não lhe parecer que pudesse alcançar um futuro lisonjeiro. Era amigo íntimo de Antero de Quental, com quem viveu fraternalmente, e com ele e outros formou uma ligação seleta e verdadeira agremiação literária para controvérsias humorísticas e instrutivas. Nessas assembléias entraram Ramalho Ortigão, Oliveira Martins, Salomão Saraga e Lobo de Moura. “




Agora o A ARTE DO MEU POVO apresenta, a adaptação para Poesia Popular do conto “O Suave Milagre”de Eça de Queirós:



O Messias Dos Ricos... De Humildade
Nivaldo CruzCredo – 13.10.2012

Texto adaptado do conto “O Suave Milagre”, do escritor Eça de Queirós.

Nesse tempo,   Jesus Cristo
Ainda na Galiléia pregava
Falava, ensinava e curava,
Era sempre bem visto
Fazendo muito isto
Nas belas margens do Tiberíade
Como  uma pessoa humilde,
Mas a noticia já se espalhava
Até em Enganim já estava,
Do estado de Issacar, a rica cidade.

Um homem de olhos ardentes
E semblante deslumbrado,
Anunciava em alto brado
Para todos os viventes
Que ficassem bem crentes
Pois existia um profeta novo,
Curando os males do povo
Esse Rabi famoso
Era bem maravilhoso.
Ele dizia: eu rogo, eu louvo!

Esse Rabi novo anunciava
Do reino de Deus a chegada,
Em Magdala, na estrada
Ele fazia milagre, curava
Quem ia até ele, lhe procurava,
Foi bem o que aconteceu
E assim se sucedeu
Com o servo do romano decurião,
Que foi curado de lepra na ocasião
Sem ele nem tocar um membro seu.

A cura aconteceu,
  com sombra da mão
O servo ficou são
E muito lhe agradeceu,
Houve outro milagre seu,
O filho de Jairo, ressuscitou
Quando os  gerassênios visitou,
Jairo era da sinagoga doutor
Dos livros era contador,
Esses milagres a todos assombrou.

Mulheres, pastores, seareiros
Queriam bem saber,
O Jesus conhecer
E ver os milagres verdadeiros
Para não serem os derradeiros
Nessa  tal combinação
De alcançar a salvação
Do Messias da Judéia,
Essa era a ideia
Que tomava a multidão.

Começaram a perguntar
Se diante dele se refugiava
E a espada de fogo estava?
Se as duas  torres haviam de estar
Ao seu lado, a ladear
De um lado a torre de Cogue
E do outro a torre de Mongogue,
Como no livro estava escrito
E nas escrituras bem dito?
O homem só disse: reze e rogue!

Sem mais nada falar,
Ele apanhou o cajado
Sacudiu o cabelo despenteado
E pensativo começou a caminhar,
Sumindo sem rastro deixar,
Mas uma esperança ficou,
O ambiente se transformou,
Será que o Messias tava chegando?
Essa dúvida em  todos estava ficando.
E a pergunta ia se espalhando.

Em Enganim na ocasião vivia
Um velho de nome Obede,
O seu nome descende
Da família Pontifical da sesmaria,
Que sacrifícios no monte Ebal fazia,
Senhor de fartos rebanhos,
E de  Vinhas de diversos tamanhos,
Mas o coração cheio de orgulho
Duro igual a pedregulho
E de gestos bem estranhos.

Porém um vento árido e abrasado
Que das terras de Assur soprava
Suas rezes mais gordas matava,
Deixando ele desesperado
E para aumentar o seu maugrado,
As parreiras das suas vinhas
Ficaram todas sequinhas
Então, ele a Deus foi maldizendo,
Pelo peso da idade gemendo
E cuspindo suas farpinhas.
Apenas ouviu falar no Rabi da Judéia
Que ficou todo animado,
Achando a solução pro seu estado,
Teve logo a brilhante ideia
De buscar na  Galiléia
Esse novo e famoso feiticeiro
E lhe oferecer dinheiro,
Pois devia ser igual aos que havia
Com a diferença de ser nova, sua magia
Era essa a ideia do interesseiro.

Obede ordenou a seus  empregados
Que por toda Galiléia procurassem
E o Rabi novo encontrassem,
Lhe oferecessem  resultados
E presentes jamais esperados,
Mas ao estado de Issacar o levasse
Custasse quanto custasse,
Enganim,  ele tinha que visitar
E sua magia tinha que  utilizar
Para que seu prejuízo acabasse.

Os servos o obedecendo
Amarraram o cinto de couro,
Colocaram moedas de ouro
Quando ia amanhecendo
Pelo caminho foram descendo
Pegaram das Caravanas a estrada
E começaram a empreitada
Em busca de Jesus Cristo,
Pelos lugares onde foi visto
Em sua  grande caminhada.

Depois de muito andar
O Tiberíade resplandeceu
Junto ao dia que amanheceu,
Muito belo naquele lugar,
Sem tempo para desperdiçar,
Eles começaram a perguntas fazer
E sobre Jesus queriam saber,
Ele estava por ali?
Quem conhecia o Rabi?
Ninguém queria dizer.

Mas um pescador que ali estava
Desamarrando sua embarcação,
Deu a eles a informação
De que tanto precisava,
O Rabi que ali ficava
No mês de Ijar, havia partido
E com seus discípulos, tinha subido,
Para os lados que o rio Jordão
Leva suas águas, é a direção
E o caminho a ser seguido.

Não o encontraram no lugar indicado
Nem em qualquer outro lugar,
Depois de cansar de procurar,
Pois em todo o lugar chegado
O Rabi já tinha passado
Para Enganim voltar, resolveram
E  de volta o caminho volveram,
Obede teve grande decepção,
Seus servos falharam na missão,
Mas a história do Cristo conheceram.

Cada dia mais se espelhava
A fama do Rabi de Nazaré,
Filho do carpinteiro José,
Que falava de Deus e curava
Todo aquele que o procurava,
Era também o filho de Maria,
Sua fama Cada vez mais crescia,
Era o Messias  da Judéia.
Naquele tempo lá na Cesaréia
Um centurião áspero e perverso existia.

Por Públio Sétimo era conhecido
Comandava toda a região
Lutou com Tibério, em sua Legião,
Por este foi reconhecido,
Com grandes somas era ele mantido,
Mas tinha uma enorme tristeza,
Sua filha, a maior riqueza,
De um grande mal sofria
Que aos poucos lhe consumia,
Sua morte já era certeza.

Quando soube do Nazareno,
Públio os soldados reuniu
Com armas e mantimentos supriu
Do grande ao pequeno,
Com jeito pouco sereno
Todo o exercito ordenou
Trouxesse até ele, o superior,
O novo famoso Rabi,
- Quero ele bem aqui!
Foi o que o centurião falou.

Sétimo do seu jeito acreditava,
Se Cristo um pobre ressucitou ,
E das mãos da morte ele o tirou,
Sua filha Jesus curava,
Se isso fizesse muita riqueza lhe dava,
Tudo que quisesse, daria,
Mas sua filha saudável queria,
Os soldado, saíram a procura,
Começaram essa missão dura
De encontrar o filho de Maria.

O exercito de Públio Centurião
Tiveram os mesmos resultados
Que de Obede o empregados,
Buscaram por toda a região,
Invadiram casas, templos, plantação
Mas em todo e qualquer  lugar
O Messias tinha acabado de passar,
Nas cidades de Cesaréia, Decápolis, Áscalon,
Jopé, Iduméia, Enganim e Hébron,
Não ficou lugar sem procurar.

Sem mais poder fazer
O exercito para Cesaréia voltou
E a Sétimo se apresentou,
Este teve que reconhecer
E de muito se entristecer,
Em pouco tempo se ouviu
Um grito que invadiu
Toda rua e lugar da cidade,
Aconteceu a prevista fatalidade,
A filha querida de Públio partiu.

Públio chorava e Obede sofria
Essas estórias corriam o mundo
E de um jeito bem profundo
A fama do Cristo crescia
Fortalecendo a cada dia,
Gente de todo lugar
Queriam com ele estar,
Queriam dele saber
O que deviam fazer
Pra das doenças curar.

Entre Enganim e Cesaréia vivia
Uma viúva em penoso estado
Sem saúde e com um filho alejado,
Naquele tempo  mulher que não possuía
Um homem na sua companhia
Era por todos muito rejeitada
E ao léu a pobre era deixada,
Nesse lugar abandonado
Um mendigo velho e cansado
Pediu o favor de uma estada.

A viúva de bom coração
Deu ao  mendigo estadia,
Este repartiu o que trazia,
Um pedaço duro de pão
E ali sentados no chão
Começaram a dialogar,
O mendigo põe-se a contar
Histórias do Rabi que multiplicava
Pão e peixe, curava, ressuscitava
E ensinava como a Deus amar.

Contou o que com Obede aconteceu
E de Públio Sétimo a história,
Os dois não tiveram vitória
Nenhum, o Cristo conheceu,
O dinheiro não exerceu
Sobre Jesus nem um poder,
Nem chegou a conhecer,
Por mais que tivesse tentado
Só chegava  era atrasado,
Ninguém conseguia entender.

A noite por ali passou,
O dia chegou, amanheceu,
O mendigo a viúva agradeceu
E o seu rumo tomou,
Mas sem quere despertou,
Na criança que tudo ouviu
Uma esperança surgiu,
Aquela criatura aleijada
Por  Jesus podia ser curada,
Foi  isso que o menino sentiu.

A criança olhou a mãe e pediu,
- Mãezinha vai ao cristo procurar
E traz ele para mim curar!
A mãe grande tristeza sentiu,
Que até não resistiu
E em prantos respondeu,
- Filhinho quem sou eu,
Uma viúva pobre e abandonada
Que  vive  aqui,  rejeitada
Por fariseu  e judeu .

Não posso aqui te deixar
E ir em busca do Rabi da Galiléia
Se até Públio da Cesaréia
Tentou ele encontrar,
Procurou em todo lugar,
Colocou o seu exercito,
Dele nem chegou perto
E Obede que é abastado
Botou muito empregado
E o Cristo não encontrou decerto.
O menino põe-se a chorar
E disse – Oh mãe, ele ama os pequenos!
Os que não têm venenos,
A senhora vai achar
E trazer ele pra curar,
O meu mal é tão pesado,
Ele vai me deixar sarado,
Eu nisso acredito
Ele é o nosso Cristo
Por Deus foi enviado.

A viúva com toda a comoção
Disse – Filhinho querido
O meu peito está ferido,
Pois não tem solução,
Ninguém na região
A morada do Rabi me apontaria,
Nem comigo falaria,
Se no cristo é grande a bondade,
No homem é grande a maldade,
Eu não o encontraria.

Aquele casebre era  só emoção
Mãe e filho chorando,
O menino acreditando
A mãe na dura desilusão
Foi quando aconteceu então
Uma coisa que atenção chamou  ,
O menino as duas mãos levantou
E disse – Mãe eu quero ver Jesus!
A porta se abriu , entrou uma luz
E Jesus Cristo falou – AQUI ESTOU!

Essa emocionante e bela estória
É do grande Eça de Queirós
Que orgulho traz para nós
Pela sua trajetória
Seu nome estar na história
Da  boa literatura,
Peço enriqueça sua cultura,
Leia livros desse escritor
E conhecerás o esplendor
De tão grande criatura.





"E VIVA A ARTE DO MEU POVO!!!!"

Um comentário:

  1. Uma linda história que merece ser lida e relida.Parabéns por resgatá-la e por compartilhar.
    um abraço

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