sábado, 25 de fevereiro de 2012

Poeta Carlos Silva do Sertão Nordestino

A mais ou menos dois anos, cheguei na Rádio onde trabalhava e o responsável pela progrmação me chamou dizendo: “ Teve aqui um poeta cantor e trouxe um CD que eu achei a tua cara”. Tenha certeza... era a minha cara mesmo, me apaixonei na hora pelo trabalho daquele poeta/cantador que tão bem traduzia o sentimento sertanejo através do seu trabalho.

Pela minha falta de tempo não tive como fazer uma pesquiesa mais detalhada sobre ele antes. Mas estes dias tive uma surpresa maravilhosa. Pois, quando abri o blog e dei uma olhada na última postagem, encontrei um cometário desse magnífico poeta, que tanto me encantou e melhor ainda ele passou a ser seguidor(como muitas outras pessoas maravilhosas) desse humilde espaço de valorização da nossa brasilidade, brasileira do Brasil.

Por isso é que com muita honra e orgulho o “A Arte Do Meu Povo” homenageia o Poeta “nordestino dos bons” Carlos Silva.

Para encontrar as informações contidas nesta homenagem busquei o site oficial do poeta o: http://www.carlossilva.com.br, que aconselho você a visitar bem como o blog www.bandasdegaragem.com.br/carlossilvacantaqdor.

E agora para as amigas e os amigos o poeta Carlos Silva!!!!



"Nascido em São Paulo, Carlos Silva encontrou suas raízes culturais no sertão da Bahia onde foi criado desde a meninice. E entre trovadores e cordelistas na vila de Itamira no município de Aporá, no interior baiano encontrou a magia da poesia popular.

Começou a cantar em 1978, ainda interpretando outros nomes da música Brasileira e Internacional. E logo depois sentiu necessidade de criar seu próprio estilo. “Foi aí que deixei a paixão pelo Nordeste falar mais alto [...]” diz Carlos Silva que se considera um 'nordestino inverso'.

Ao longo dos anos foi construindo sua carreira baseada na lealdade a cultura de seu povo e no trabalho intenso. Seguiu, inspirado por grande nomes com Luís Gonzaga, Vital Faria, Xangai, Geraldo Azevedo e do Trio Nordestino e por importantes nomes da literatura como Zé Limeira, Patativa do Assaré, Gordurinha, Téo Azevedo, Assis Ângelo e Moreira do Acopiara.


Resultando em 2000 no lançamento de seu primeiro CD com produção independente e o primeiro folheto de cordel. Então pegou a estrada e viajou o país inteiro difundindo a cultura nordestina “que é tão bela e tão rica”.

Em 2003, lançou seu segundo CD intitulado “Retratando”, álbum que presta justa homenagem a todos os cordelistas, trovadores, cantadores e, em especial, a Mestre Vitalino e outros ícones da nossa cultura. Assumindo um tom ora lúdico ora crítico, as canções que compõem o disco reverenciam o artesanato, a linguagem e a poética do povo nordestino. Outro ponto debatido pelo compositor é a invasão lingüística e cultural promovida por países como os Estados Unidos, o que fica bastante evidente na canção ESTRANGEIRISMO, um sucesso absoluto composto em parceria com Sandra Regina.
Ainda em 2003 com apoio do Itaú Cultural e juntamente com a Cooperifa ( Cooperativa dos Poetas da Periferia – movimento literário da capital paulista do qual faz parte ) lançou a coletânea Rastilho de Pólvora, êxito que foi repetido em 2006 com o lançamento de um CD de poesias pela Cooperifa e duas canções compostas por ele em parceria com o músico Zé Riba fazem parte de um CD lançado na França pela gravadora Urban Jungle. “Brazil estamental (oito pilha! Hum real) foi uma música de grande sucesso nas rádios francesas”, destaca.




De lá pra cá, Carlos Silva segue viajando por esse Brasil, divulgando seu trabalho e cativando o público por onde anda com sua música que é acima de tudo verdadeira e abre espaços antes fechados pela exclusão e marginalização desta cultura. “Lembro que até meados de 1994 era uma vergonha usar chapéu de couro e caminhar nas ruas de São Paulo” diz ele. Atualmente espaços como UNIP e UNIBAN (2006 e 2007) já prestigiaram de perto a arte deste Nordestino Inverso.
Carlos Silva também mantém o trabalho com os livretos de cordéis, tendo lançado entre 2005 e 2007 5 livretos e ainda têm muito mais guardados na gaveta à espera do lançamento."


Agora vamos nos deliciar com uma pequena amostra do maravilhoso trabalho Carlossilvense:



NOSSA LÍNGUA - VAI MUDAR

Vão mudar nossa gramática
Quero estar preparado
Pra na hora da mudança
Eu estar bem informado
E saber dizer direito
O que foi modificado

Vou fazer reflexão
Com a minha mente acesa
E tentar me adequar
As mudanças com certeza
Pelas quais irão Passar
A nossa língua Portuguesa

O que entra e o que sai
O que muda afinal?
São cinco paises unidos
De forma tão genial
Para melhor entendermos
De forma universal
Já passamos Pero Vaz

E logo depois Camões
Machado de Assis teve
Nela grandes inspirações
Será uma forma bela
De boas transformações

O processo será lento
Para todos absorver
A nossa velha gramática
E a nossa forma de ler
Mas no fundo meu amigo
Todos irão compreender

Os sintaxes os fonemas
As crases, o velho trema
Essas modificações
Resolverão o problema?
Eu ficarei aguardando
E a todos indagando
Sem querer perder o tema

"Sou simples sou composto
Oculto,indeterminado
Particípio eu sou gerúndio
Sou fonema Sim Senhor
Adjetivo,predicado eu sou sujeito
Ainda trago no meu peito
Este Brasil com muito amor"





O VERDE NÃO VALE TANTO?
Ou qual o valor que o verde tem?

VEJO O MUNDO AOS POUCOS AQUECENDO
AS GELEIRAS DERRETENDO A CADA DIA
ESPATIFANDO EM PERFEITA HARMONIA
ICE BERGS ESTÃO DESAPARECENDO
E O HOMEM DIZ NÃO TÁ ENTENDENDO
ESTE AQUECIMENTO TÃO BRUTAL
E AOS POUCOS A BELEZA GLACIAL
TRAZ ENCHENTE CAUSANDO INUNDAÇÃO
COMO SE PREPARASSE A DESTRUIÇÃO
DESTE MUNDO E DA VIDA ANIMAL


TALVEZ SEJA EXTINÇÃO DA HUMANIDADE
POR GANANCIA AUMENTANDO A PRODUÇÃO
SUFOCANDO COM SUA POLUIÇÃO
TODA ESSENCIA DA PRÓPRIA CRUELDADE
POIS O HOMEM CONHECE DE VERDADE
TODA CAUSA TEM EFEITO GARANTIDO
QUANDO ELE NOTAR QUE ESTÁ PERDIDO
O SEU GESTO NÃO TERÁ MAIS REVERSÃO
PAGARÁ COM SUA VIDA A DESTRUIÇÃO
MORRERÁ ESCUTANDO SEU GEMIDO


O PLANETA É UMA CASA ABENÇOADA
CONSTRUIDA POR UM DEUS UNIPOTENTE
MAS O HOMEM ESQUECEU O QUE É SER GENTE
DESTRUINDO ESTA OBRA TÃO SAGRADA
O QUE RESTA DO MUNDO É QUASE NADA
POIS ATÉ O BOM DEUS FOI ESQUECIDO
HOJE LAMENTA VENDO TUDO DESTRUÍDO
MAS EM BREVE COBRARÁ O QUE FOI FEITO
E APENAS O LEAL SERÁ ELEITO
QUANDO TUDO AQUI FOR CONSUMIDO

VEJO TRISTE A AMAZÔNIA DESTRUÍDA
EXPLORAÇÃO DESORDENADA ME APAVORA
A BELEZA EXISTENTE DESTA FLORA
JÁ É UMA FOTOGRAFIA ESQUECIDA
QUE SERÁ ÓH MEU DEUS DE TODA VIDA
QUE DESPREZA O QUE ERA PRESERVAÇÃO
OS POLÍTICOS ENVOLVIDOS NA AMBIÇÃO
COMPRA E VENDE A BELEZA NACIONAL
ENCURTANDO O CAMINHO PRO FINAL
SEM AMOR, SEM CLEMENCIA E SEM PERDÃO.





"SER" POETA...ou o troco.


POETA NÃO É QUEM VERSA
VERSOS DE OUTRO ALHEIO
ESFORÇANDO PRÁ NÃO ERRAR
SÓ PARA NÃO FAZER FEIO
POETA É AQUELE QUE CRIA
COM RESPEITO E SABEDORIA
O SEU PRÓPRIO DEVANEIO

SER POETA CAMARADA
É AMARGAR SUA DOR
SORRIR NA DIFICULDADE
A NINGUÉM SER LAMENTADOR
É USAR A INTELIGÊNCIA
DE TODA SUA CIÊNCIA
QUE LHE DEU O CRIADOR

É FAZER DA PEDRA O PÃO
E DO FRIO SEU COBERTOR
FEITO CHICOTE RASGANDO
O GÉLIDO SERENO DA DOR
É FAZER RIMA E VERSO
VAGAR NO SEU UNIVERSO
MOSTRAR QUE TEM SEU VALOR

SENTIU O ESTOMAGO RONCAR
RECLAMANDO O ALIMENTO
DORMIU EM PENSÃO BARATA
PRÁ NÃO FICAR NO RELENTO
JÁ SAIU PRÁ MANGUEAR
PARA UNS TROCADOS GANHAR
EM TROCA DO SEU TALENTO?

JA PEGOU ESTRADA (poeta?)
CHEIO DE SONHOS NA SACOLA
PRÁ VENDER A SUA ARTE
SEM ACEITAR UMA ESMOLA
JÁ PASSOU O CHAPÉU NA FEIRA
OU ISSO PRÁ TI É BESTEIRA
TIRADO DA MINHA CACHOLA?

QUANTAS PROMESSAS"EMBRIAGADAS"
RECEBERAS DE PROPOSTAS,
QUANTOS MENTIROSOS TU
CARREGASTES EM TUAS COSTAS
E TE LARGARAM INDAGANDO
AO "DESTINO"PERGUNTANDO
SEM OBTER AS RESPOSTAS?

ACORDA, POIS SER POETA
É VIRAR UM VAGALUME
TROCAR NOITE PELO DIA
PISAR NO BARRO OU NO ESTRUME
É FAZER DA POESIA
UM SONHO EM CANTORIA
SEM PERDER O BOM COSTUME

PEGA AGORA UM PAPEL
CANETA E INSPIRAÇÃO
ESCREVA A SUA HISTÓRIA
DESPERTE SUA CRIAÇÃO
NÃO PRECISA SER RIMADA
DE FORMA CORDELIZADA
OU COM METRIFICAÇÃO

OU SERÁ QUE VOCÊ PENSA
QUE POETA JÁ NASCE FEITO
QUE O HOMEM NÃO É CAPAZ
DE CRIAR VERSO DIREITO?
LEVANTE, COMECE ESCREVER
O MUNDO QUER CONHECER
O QUE HÁ NESTE TEU PEITO


ANTECIPO COM CERTEZA,
VIVER DE ARTE É UM DESAFIO
TEM QUE CONTAR COM A SORTE
SER INSISTENTE TER BRIO
LEVAR NOME DE VAGABUNDO
E NEM SE QUER POR UM SEGUNDO
ACHAR QUE O TEMPO É TARDIO


MENTIRAS E MENTIROSOS
DE CERTO ENCONTRARÁ
TAXADO DE SONHADOR
VOCE SEMPRE ESCUTARÁ:
ONDE É QUE VOCÊ TRABALHA
QUAL É A SUA BATALHA,
FELIZ AGORA VOCE ESTÁ?

NÃO FAÇA POEMA APOLÓGICO
NEM DIGA VOU LER UM VERSINHO
NÃO DEIXE QUE OUTROS DIGAM
QUE VOCÊ É UM COITADINHO
AFASTE-SE DOS "IDEALISTAS"
OU DE LITEROS-MASOQUISTAS
QUE CRUZAR O TEU CAMINHO

SE QUISER SER RESPEITADO
NÃO DÊ O QUE PRODUZIR
NEGUE SEMPRE QUE PUDER
QUANDO VIEREM TE PEDIR
MINHA ARTE TEM UM PREÇO
NÃO PODE PAGAR,?AGRADEÇO
MÁS EU PRECISO PARTIR

SE NÃO FOR PRÁ SER ASSIM
SIGA ENTÃO A SUA VIDA
QUANDO ENTÃO ME ENCONTRARES
SAIBA QUE ESTAREI NA LIDA
"VENDENDO" A MINHA OBRA
POIS É ISSO QUE ME SOBRA
DA PROFISSÃO ESCOLHIDA

SE MEUS VERSOS MAGOARAM
CREIA:NÃO QUIS TE OFENDER
SE NÃO VÊ SINCERIDADE
OUTROS LIVROS ENTÃO VÁ LER
POR FAVOR SAIA DA FRENTE
ALI TÁ CHEGANDO GENTE
E PRECISO A ARTE "VENDER"




Para conhecer mais poesias verdadeiras com o cheiro do sertão nordestino produzidas pelo nosso homenageado, faça uma visita agora mesmo ao site www.carlossilva.com.br ou ao www.bandasdegaragem.com.br/carlossilvacantaqdor.

E boa leitura prazerosa!!!



"E VIVA A ARTE DO MEU POVO!!!!!!!"


terça-feira, 15 de novembro de 2011

Cordelista José Augusto E A Sua Corda De Cordel

Hoje o “A Arte Do Meu Povo”, tem o prazer de apresentar para você o Poeta-cordelista


José Augusto, riograndense dos bons e poeta popular de mão cheia, Augusto é um incentivador da nossa cultura popular nordestina.




Com você...

"José Augusto Araújo da Silva é poeta-cordelista e professor da rede estadual/RN. Nasceu em Patu, mas sempre viveu em Belém do Brejo do Cruz-PB, até se mudar para Mossoró em 1995. É Teólogo, é Bacharel em Direito e cursou Letras até o 7° período. Publicou seus primeiros cordéis em 2007, e, desde então, não parou mais. Em 2008, idealizou e inaugurou a Cordelteca Poeta Luiz Campos na Escola Estadual Prof. José Nogueira; em 2010 colaborou para a criação da Cordelteca Poeta Crispiniano Neto na Escola Estadual Prof. Eliseu Viana. José Augusto já publicou vários cordéis. Entre eles está o cordel “Novo Acordo Ortográfico” que foi premiado pelo Ministério da Cultura, através do Prêmio Patativa do Assaré – Edital 2010. Também em 2010 participou na cidade de Barbalha-CE, de um encontro de poetas promovido pela Organização das Nações Unidas-ONU para produzir o Relatório de Desenvolvimento Humano no Brasil no formato de cordel.E em 2011 foi classificado para participar do 2° Concurso de Literatura de Cordel de Caruaru realizado pela Academia Bresileira de Literatura de Cordel-ABLC."

Parabéns poeta e continue nessa nossa boa-luta pela valorização da nossa brasilidade, brasileira do Brasil.
Se quiser conhecer mais sobre o poeta José Augusto e também sobre notícias de e do cordel, conheça o blog "Uma Corda De Cordel" através do endereço: http://cordeljoseaugusto.blogspot.com/

"E VIVA A ARTE DO MEU POVO!!!!!"

domingo, 13 de novembro de 2011

Maria Encantada




Para não ficar muito tempo sem postar no "A Arte Do Meu Povo", aqui está a minha última criação, uma viajem mistica pelo mundo das cidades do interior do Nordeste brasileiro.
Prometo,assim que a minha vida voltar ao normal, retornarei com toda força a alimentar o blog com o que há de melhor na nossa cultura brasileira do Brasil.


Maria Encantada
Nivaldo Cruz – outubro de 2011




Bem lá em cima, no céu
Eu ví Maria avuá
Sem asa, sem avião,
Sem ter onde ela pegá.
Maria tava encantada,
Não era pra duvidá.

Tudo cumeçô um dia
Quando ela viu, ele chegá
Era um moço bem vistoso
Nunca visto naquele lugá,
Era genti diferenti,
Já paudia disconfiá.

O moço veio , chegô
E foi pra igreja rezar.
A curiosidade tomô conta
Di todos daquele locá,
Principalmente Maria, qui
Cumeçô se apaixoná.

Seria ele um padre novo?
Porque padre José tá idoso.
Ou tava era fugindo,
Podia ser um criminoso.
Ele podia ser um tudo
Duvidar num era custoso.

Maria era moça nova,
Bunita e sonhadora,
Acreditava nos romance
Que lia a professora
E das histórias de cordel
Também era admiradora.

Vivia num mundo,
Cheio de fantasia e encanto,
De Principes, plebeus, reis,
Anjo, querubim e santo.
De palácios, tronos, reino,
Coroas, cedro e manto.

Desde pequena,
Ela vivia era assim,
Sabia de cor as histórias,
Contava tim tim por tim tim,
Cada vírgula, cada ponto,
Cada meio e cada fim.

A maioria das pessoas
Achavam ela diferente,
Gente estranha, gente de casa,
Dsconhecido e parente.
Todo mundo dizia que a moça
Não vivia no mundo da gente.

Só o seu padrinho de pia,
A entendia perfeitamente,
Por isso era o seu
Grande amigo e confidente.
Só ele sabia o que se passava
Na cabeça daquela adolescente.

Dimdim Patricio,
Era um homem letrado
O único naquela região
Por isso bem respeitado,
Ele via na sua afilhada
Um ser privilegiado.

-Essa menina é um
Verdadeiro encanto!
Exclamava admirado
Por todo e qualquer canto,
E a sua admiração
Causava muito espanto.

Pois naquele lugar
Ninguém pensava igual,
Para todo mundo alí,
A menina era uma anormal,
Nada tinha de admirável
Nem se quer de natural.

Se não fosse a tão
Grande admiração e respeito
Pelo homem educado,
Todos achariam um jeito
De enternar a coitada pois
O estado de loura era avançado.

Essa era a opinião
Do povo em geral,
Até os pais da menina
Pensavam de jeito igual,
Achavam que o compadre
Também sofria dealg um mal.

A menina Maria
Via o mundo diferente,
Pelo seu ponto de vista
A maldade tava ausente
E o mundo lhe dava
Tudo, tudo de presente.

Não era ambiciosa
Tudo a contentava
Se tinha, era bom!
Se não tinha, não ligava.
O seu mundo maravilhoso
Sempre belo continuava.

Maria desde pequena
Tinha um prescentimento
Que do céu alguém olhava
Lhe dando contentaento.
Tinah essa certeza
Que batia cem por cento.

Tava olhando sim,
Era a certeza de Maria,
Isso era presente
Toda hora, todo dia
E a cada momento,
Bem mais forte sentia.

O que era aquilo,
Ela não sabia falar,
Só sabia que era bom
E que a certeza ia aumentar
Até que um belo dia
Essa coisa ia chegar.

Ela sabia que a tal coisa
Do céu ia descer
Que um dia na frente dela
Ele iria aparecer e
Naquele momento
Tudo ia esclarecer.

Maria cresceu,
O tempo passou
E a certeza dela
Só aumentou,
Tudo isso só
Ao padrinho confidenciou.

Numa noite enluarada,
Bem bonita do sertão.
Aconteceu algo no céu
Que chamou a atenção
Da moça Maria e
De mais ninguém nesse chão.

Da janela do quarto,
Maria pro céu olhava,
Quando percebeu que
Alguma coisa mudava.
Uma estrela agitada,
Para a moça dançava.

E nessa dança, das outras
A estrela desprendeu
E tava vindo para a terra
Como acontecia no sonho seu,
Era chegado o momento,
Foi o que ela percebeu.

A estrela veio, veio
Até que Maria pode ver,
Ela caiu bem alí
Pros lados do amanhecer,
Daqui a pouco ela vem
Bem aqui para min ver.

Maria pensou, e outra não deu
Quando a barra do dia raiou
Já tava aquele escarcéu
Por causa doe stranho que chegou
E foi para a igreja matriz
Lá entrou e se trancou.

Todo mundo saber
Mais informações queria,
Mas só a aluada Maria
Só e somente ela sabia,
Quem era aquele
E o que ele lhe trazia.

Na praça da matriz
Estava toda a multidão,
A cidade estava alí,
Todo mundo de prontidão,
Para saber quem era
Aquele diferente cidadão.

Derepente a porta da igreja
Se abriu de uma vez só
De lá saiu uma luz forte que
Cegava que nem o sol,
No meio dela um rapaz que
Num parecia vindo do pó.

Olhou no meio d a multidão
A jovem Maria, lá reconheceu
Foi até ela, sem em ninguém tocar
O povo não acreditou no que aconteceu,
Chegando perto dela, ele
A abraçou e um beijo lhe deu.

Maria começou a brilhar
Do chão subiu, levantou
Para o céu foi voar.
Essa é a história doutor
Da Maria encantada,
Pode espalhar por favor.

sábado, 22 de outubro de 2011

Quero Muito Bem Querido



Esses dias, escutando o grande poeta Jessier Quirino, resolví fazer uma poesia inspirado no seu jeito único de verserjar.
Longe de mim chegar aos pés do mestre, porém, a vontade veio e acabei compondo esse trabalho que segue abaixo.
Devo acrescentar que não faz parte do meu estilo, como quem me conhece sabe. Por isso mesmo, faço questão de coloca-la aqui no "A ARTE DO MEU POVO".
Com vocês...

Quero muito bem querido
Nivaldo Cruz - 2011


Quero ver o verdejar
Do belo amanhecer,
revigorar as forças
Do nosso entardecer.

Quero ver o orvalhar
Das folhas da campina,
Molhar a Selva de Pedra
Que se vê lá da esquina.

Sentir o bom perfume
Das flores nossas e nuas,
Invadindo todas as casas
Dos Becos de suas Ruas.

Quero ver o sabor
Da Roça saboreado,
Nos quatro cantos
Por quem é alimentado.

Sentir a simplicidade,
Muito bem matutada,
Em cada ato na dita
Cidade “civilizada”,

A humildade chegando,
Devagar e humildemente,
E em cada canto
Se fazendo bem presente.

Quero todo o mundo,
Muito do bem mundiado,
Vivendo poeticamente
Sem precisar ser remediado.

domingo, 9 de outubro de 2011

Tristezas Di Cantadô



Olha aqui, mais uma do livro “Istóras di Cantadô”. Espero que gostem!

Tristezas Di Cantadô
Nivaldo Cruz – 1992


Cuma cantadô di viola
Eu posso cuntá procêis agora
Du meu sertão munthas istóra,
Istóras bunitas qui num
Ixiste mais agora.
I inté istóras di fechá os zoio
Di Nossa Sin´ora.
Cuntá causo de rachá u chão,
De muntho coroné qui tin´a
Coisa cum Cramunhão.
Cuntá todos ABC du Virgulino capitão,
Héroi du meu sertão
I bandidu pras puliça,
Lampião.
Causo dus macaco borrão,
Us cabra qui intrava nas força
Prumode passá pur machão.
Das donzela fogosa du Chapadão,
Dus revortado di 25 inté
Du anu di 30 na rivulução.
Causo de muntho sertanejo verdadêro,
Qui lutô junto di Anton´i Conseiêro.
Óia seu dotô, meu sertão,
Já foi rico de istóra,
Mas tudo se acabô agora,
Muntha gente debandô pru sur
I us qui ficáro só trabaia pru mode cumê.
Agora ispia voismicê,
Dispois di tanta aligria
Meu sertão ficô a mercê.
Só ficô nois cantadô,
Prumode relembrá us ABC.



“E VIVA A ARTE DO MEU POVO!!!!”

sábado, 24 de setembro de 2011

Precupação Di Um Matuto

O “A Arte Do Meu Povo”, volta com a série Istóras Di Cantadô. Livro que escreví em 1992, através do SOS-Movimento Editorial Alternativo, um projeto do saudoso mestre Manoel de Christo Planzo.Espero que você goste.





Precupação De Um Matuto (Nivaldo Cruz-1992)



Óia, seu moço
Qui mi nasceu
Um caroço
Na artura da bunda,
O danado coça qui só!
Já min disséro q´era treis sor.
Duvido, pru que nunca ví
Treis sor nesse lugá,
Mais Cuma tudo tá mudado
Tem`io medo de duvidá,
Já tem cabra cortano us troço
Pru mode mulé virá,
Já tem mininu nasceno in garrafa
Sem di mãe pricisá.
U mundo tá todo virado,
Nois num sabe adonde tá.
Só sei, qui nois só faiz
U qui us gringo mandá,
Só sei, qui tem póbe morreno,
Pru mode us grande inrricá.
Só sei, qui tem mininu cum fome,
Nas rua sem tê adonde morá.
I u meu caroço num para de coçá!
Tem um cumpadi meu, diputado
Qui roba tanto, qui num tem
Mais adonde butá.
Já tem aqui no arraiá,
U Chico Lumbriga,
Qui si num achá din´êro prus remédio
As verme vão matá.
Achu mió percurá
Um dotô na capitá
Pru meu caroço curá.
I a situação dus povo,
Dêxo nas mão di Deus,
Só ele pode ajustá.



“E VIVA A ARTE DO MEU POVO!!!”

sábado, 17 de setembro de 2011

O Lobisomem E O Coronel

Dando uma pequena pausa na série “Istóras di Cantadô”, o A Arte Do Meu Povo, homenageia o trabalho maravilhoso de Ítalo Cajueiro, Elvis Kleber e toda equipe da Exemplus Filmes, através do curta-metragem , “O Lobisomem e o Coronel”.




Não se tem maiores detalhes sobre esse maravilhoso trabalho. Por isso, quem possuir alguma informação sobre ele, ou sobre os seus autores por favor pode enviar, que será um prazer falar mais de coisa tão boa.
É a nossa cultura popular através das novas ferramentas da comunicação. Nem tão novas, mas diferentes de onde estamos acostumados a ver a nossa boa cultura nordestina.
Mais uma vez: Parabéns Ítalo!! Parabéns Kleber! Parabéns a todos os apaixonados pela nossa brasilidade, brasileira do Brasil.


“E VIVA A ARTE DO MEU POVO!”