quinta-feira, 8 de março de 2012

Um Poeta Do Tamanho Da Amazônia, Celdo Braga!

Faz uns meses que chegou em minhas mãos uns Cds(na realidade 3) de um grupo que faz música regional em Manaus, através do meu amigo e cunhado professor Clédson Ponce.

Assim que ouvi, me apaixonei com a qualidade, poesia, sensibilidade do grupo e em especial desse poeta/compositor que o “A Arte Do Meu Povo” homenageia agora.

É bonito demais ver a nossa verdadeira cultura sendo feita e apresentada por pessoas como o grupo IMBAÚBA, que em outra oportunidade também estará aquis endo homenageado como mais detalhes.






Neste momento o “A Arte Do Meu Povo” mostra pra você, a brasilidade, brasileira do Brasil através da arte e poesia desse grande representante da nossa cultura verde Amazonia e imponente Amazonas, Poeta Celdo Braga.

As informações aqui contidas foram encontradas, através de pesquisa no site: http://www.carlosbranco.jor.br/poesiasceb.html . Mas muitos outros sites trazem informações sobre o trabalho desse grande poeta brasileiro.




Faça uma visita ao site http://www.imbauba.art.br/


Para você um pouco do Poeta Celdo Braga...




Celdo Braga é amazonense (benjaminense de coração), nascido em setembro de 1952. Professor, músico e poeta, já publicou quatro livros de poemas. Entre eles, Mito x Realidade e Cordel Verde e Água e Farinha. Outros o fez em parceria com Eliberto Barroncas.

Radicado em Manaus há mais de 15 anos, desde dos tempos de Benjamin Constant já era ligado à literatura e à música. Aliás, tem formação em Letras e lidera o grupo de música regional Raízes Caboclas. É mais um autor da nova geração amazonense.”




Sinta um pouco da força da poesia desse grande brasileiro amazonense:


Amazonas

O rio banha de luz
murmureja e vai seguindo
de porto em porto esculpindo
as margens do seu destino.

Destino de ser caminho
de ser barco e navegante
de ser leme e comandante
do seu próprio caminhar.

Canaranas matupás
membecas e murerus
são ilhas de arribação
no regime das enchentes.

Nas vazantes borda praia
onde o rito da desova
aninha nos tabuleiros
tartarugas tracajás.

E no ciclo das areais
a vida eclode apressada
pra ser de novo tocada
pelo compasso do rio.

Quantas vezes esse rio
brincou comigo de pira
lavou roupas nas beiradas
foi a fonte do meu pão...

Em silêncio e solitário
vai vencendo desafios
se envereda em paranás
bebe a água de outros rios.

Guarda os segredos dos lagos
se embrenha nos igapós
sabe notícia da mata
na boca do igarapé.

Ao desfolhar a paisagem
das matas já distantes
dos primeiros navegantes
acordando o seu silêncio.

O rio acende memórias
de lendas de encantamento
e fragmentos de mistérios
que borbulham do seu leito.

Carrega todos os sonhos
do olhar das ribanceiras
que se enche de esperança
ao ver o barco passar.

Sempre que um gesto impensado
tolda as águas mancha a vida
o rio geme lá no fundo
a ferida que já sangra.

O sol míngua no poente
brisa mansa maresia
o rio se esquiva e dorme
em noturna romaria.

No amanhecer inda brilha
a luz dos últimos astros
que a noite se banharam
no firmamento do rio.

rio de saber, santuário
onde os pajés os sacacas
em mirações milenares
beberam da sua luz.

luz de versos que caminham
alumiando os barrancos
que choram terras caídas
à procura de outro chão.

Com jeito de cobra-grande
o rio das águas barrentas
rumo leste busca o mar
talvez para se perder
talvez para se encontrar.




Canoa

Tronco escavado
a ferro e fogo
que ganha nas águas
o prumo da quilha
o destino da proa
Um toque de arte
um ciclo de vida
uma nave cabocla -
CANOA



Lendaridade

A flor da vitória-régia
é branca ao amanhecer
cor-de-rosa pela tarde
lilás, ao anoitecer
Mas quando tudo serena
a flor se torna morena
repete o rito da lenda
mergulha para morrer



Identidade

Toda vez que ouço o rio
deslizando lentamente
em busca do mar
Ouço o eco da saudade
dos meus pais
dos meus avós
ressoando em mim...
Minha parte nordestina
querendo voltar
Mas ao entrar na canoa
uma voz bem lá do fundo
soa, dizendo não vá
É o som de todas as tribos
tamborilando meu peito...
Minha parte índia
querendo ficar
Daí olhando pro rio
com sede de identidade
entendo que na vontade
de partir e de ficar
o meu ser caboco é
o encontro de duas águas
metade rio, metade mar



"E VIVA A ARTE DO MEU POVO!!!"

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