domingo, 9 de janeiro de 2011

Maviael Melo, Um Dos Gigantes Da Nova Geração


Para começar bem 2011 e depois de algum tempo sem condições de atualização, é com imenso prazer que o “A Arte Do Meu Povo” volta para homenagear esse que é dos GRANDES da chamada nova geração de poetas populares, cantadores e contadores de causos. Ele é um verdadeiro defensor e divulgador da nossa cultura nordestina, um lutador para a continuidade da nossa Brasilidade, Brasileira do Brasil. O nome desse GRANDE é...

Maviael Melo, sobre ele a melhor definição encontrada é a do site http://www.myspace.com/372918544 , que segundo está lá, foi o próprio poeta que escreveu. Assim...


“Maviael Melo, é um pernambucano radicado na Bahia, já se apresentou em diversas cidades de Pernambuco, Bahia, Paraíba, Rio de Janeiro, e outros estados Brasil a fora. Suas apresentações, sempre recheadas de poesias e cordéis, além de belas músicas, já lhe renderam diversas premiações em Festivais, dentre as quais, o 1º Lugar no Festival Edésio Santos, em Juazeiro, na Bahia, bem como premiações no X Festival de Música e Ecologia da Ilha Grande, em Angra dos Reis, Rio de Janeiro; no Festival Geraldo Azevedo da Canção, em Petrolina, Pernambuco, no Festival de Violeiros da Chapada Diamantina, em Seabra e no Festival de Ibotirama, na Bahia, respectivamente com as canções Ave Rio, Chegou a Vez, Tempo Lamento e Mané, Maria e Luar, tendo também poesias premiadas em diversos festivais de poesia pelo nordeste, a exemplo do 3º Recitata, em Recife-PE, Festival de Poesia de Ibotirama e Carinhanha, na Bahia. Maviael é Pedagodo e Educador Ambiental, publicou através do Instituto de Gestão das Aguas e Clima da Bahia – INGÁ, o Cordel da Água, utilizando-o como instrumento de Educação Ambiental nas escolas da rede publica de ensino em diversos municípios baianos, e também assina parte da trilha sonora do DVD Ética e Ecologia, do teólogo e ambientalista Leonardo Boff, também produzido pelo INGÁ, onde o tema principal é a canção Chegou a Vez, de sua autoria em parceria com o poeta Rodrigo Sestrem. Maviael destaca-se pela sua performance, não só como compositor e intérprete, mas também como um exímio escritor e declamador de cordéis, tanto recitando versos de sua autoria, como de outros escritores e cordelistas. É cordelista e ministra oficinas de cordel para professores e educadores de como trabalhar cordel em sala de aula. Além de oficinas de cordel com temas voltados para a Educação Ambiental. Realizou nos dia 20, 22 e 24 de outubro, o projeto Entre Versos e Canções por toda a Bahia, aprovado pelo Edital de Circulação de Música da Fundação Cultural do Estado da Bahia - Vivaldo Ladislau, nas cidades de Camaçari,(20) Santa Maria da Vitória (22) e Lençóis (24), recebendo como convidados os cantadores Xangai, Celo Costa e Raimundo Sodré, respectivamente. Atualmente prepara-se para a gravação do seu primeiro CD/DVD, onde contará com a participação de poetas e cantadores, nomes como Maciel Melo, Xangai, Geraldo Azevedo e Raimundo Sodré, também começa a circular em algumas cidades realizando oficinas de cordel para professores da rede publica.


Cordelista e escritor com diversas publicações em jornais, autor do livro de contos e cordel Vais Casar? Contra Quem? - 2002 e dos folhetos de cordel: Ataque Suicida, Campanha Eleitoral, Viagem de Lotação e a Peleja de Manuel Filõ com Antônio Marinho – 2005; O cordel da água – folheto institucional publicado pela SRH – Superintendência de Recursos Hídricos do Estado da Bahia – 2007 e do Livrel Entre Versos também em 2007, premiado em agosto de 2007 em 2º lugar com a Poesia Estamos; Não Somos!, no XXXI Festival de Poesia e Música de Ibotirama-BA; Pedagogo em formação, graduando pela Universidade do Estado da Bahia – UNEB, ministrou oficinas de Literatura de Cordel para professores da rede publica de ensino em vários municípios, entre eles: Petrolina-PE – 2005/2007; Lagoa grande-PE - 2005; Moreilândia-PE – 2005; Santa Maria da Boa Vista-PE – 2007; Alunos da UNEB em Alagoinhas-BA – 2006; Camaçari-BA – 2006; Pastoral de Comunicação da Arquidiocese de Salvador, também em 2007, entre outros.”





Foi no blog http://maviaelmelo.blogspot.com , que encontrei os tesouros de Maviael Melo, dos quais uma pequena amostra tomei a ousadia de publicar aqui, para você conhecer e se deliciar com as maravilhas desse IMENSO brasileiro, que deve ser conhecido por todos que são apaixonados pela cultura e pela arte desse nosso país de Mãe Preta e Pai João.

Um troço chamado virus
E vestido à Papai Noel
Anda espalhando lorota
E causando um escarcéu
Por isso aqui meu recado
Não mando arquivo “lincado”
Não abra esse “xeleléu”

E como em todo bordel
Tem sempre um cara de pau
Tem um mandando um cartão
Dizendo ser de Natal
Não tenho nada com isso
Para evitar rebuliço
Delete esse marginal

Que além de ser virtual
Deve ser vírus danoso
Jogue esse rato no lixo
Pois pode ser perigoso
E aproveitando o mote
Quero desejar um xote
De aconchego e dengoso

Quero vos saudar saudoso
De mais um ciclo completo
Quero abraçar a todos
Sem ter nem um predileto
E espero que a nossa poesia
Leve amor, paz e alegria
Em cada peito dilecto

Quero um sorriso repleto
Em cada olhar de criança
Transbordante de carinhos
Recheado de esperança
Peço desculpas se errei
Mas confesso que apanhei
Pra adquirir confiança

Quero que a nova aliança
Que cada um escolher
Seja sincera e futura
Na hora que perceber
Desejo de coração
Os versos de uma canção
Que vejo agora nascer!

Buscando a felicidade!

Entre a paquera e a procura
Um velho verso renasce
Profetizando o enlace
De uma poesia futura
Recriando a criatura
Numa nova construção.
No calor de cada mão
Fortalece a aliança
Construindo a esperança
E alimentando a paixão

Olhar na frente, o desejo
De um namoro sereno
E em cada gesto o aceno
Daquele olhar benfazejo
Entre um abraço e um beijo
Tem muito a se construir
Do sonho a distribuir
Na alegria do riso
Unir o que for preciso
Para melhor produzir

Construindo passo a passo
Uma nova relação
Reescrevendo a lição
Na força de cada abraço
E cada olhar é um traço
De um futuro decente
Num casamento ciente
Voluntário e promissor
Irrigando sem pudor
O perfume Ambiente!

E assim, andar lado a lado
Numa procura constante
Sentindo o peito atuante
Pulsante e apaixonado
Entre a quimera e o legado
Está a sinceridade
E quando vem a vontade
O verso se faz poesia
Declamando o novo dia
Buscando a felicidade!




Um mote pra versejar


O vaqueiro cantando uma alegria
A morena se ajeita na janela
O poeta pintando uma aquarela
Com o pincel cria forma de poesia!
É a chuva trazendo a invernia
Orvalhando a flor, florindo a rama
Na porteira um aboio se declama
Sem ensaio a boiada se apruma
O Nordeste se enfeita e se perfuma
Quando o pranto da nuvem se derrama

A Caatinga floresce diferente
Com aroma da relva que umedece
Todo o povo se ajunta na quermece
E agradece a Deus o Onipotente
Um ansião corta o fumo no batente
Amanhece na serra o céu proclama
O sertão se prepara e vira a cama
Onde a chuva se deita e se consuma
O Nordeste se enfeita e se perfuma
Quando o pranto da nuvem se derrama



Tudo na Vida da Gente


Tudo na vida da gente
Tem sua vez de chegar
Tem o poeta que sente
Em cada verso um penar
Tem a vontade chegando
Acompanhando a poesia
De cada verso que chega
Na barra do dia-a-dia
Do sol quando chega a vez
De cada raio que guia
Iluminando o que fez
Iluminar a harmonia
Chegou a vez de entender
Para poder ir em frente
Ver germinar a semente
Brotar e poder crescer
Chegou a vez de querer
Tudo na vida da gente

E está na palma da mão
Aonde se quer chegar
Tá na pisada do chão
Que trilha no caminhar
Tá no sorriso maroto
De um garoto feliz
Que ganha um bombom garoto
E aprende a ser aprendiz
Tá na saudade da terra
Onde se finca a raiz
Onde a Saudade se enterra
Aonde o tempo é juiz
Que nos ensina a viver
Para poder ir em frente
Buscando ser a vertente
Para melhor entender
E em cada verso escrever
Tudo na vida da gente

Em cada pé no batente
Galgando algum lugar
Que mostra o poder da mente
Dos que vivem a conspirar
Em versos, que sonhadores
Sonhavam de pés no chão
No repicar dos tambores
Conduzindo o coração
Procurando uma saída
Pegando de mão em mão
“Ré-afinando” a batida
Criando um novo refrão
Por não saber compreender
Para poder ir em frente
Ter um bom inconsciente
E consciente Saber
Que a vida vem pra dizer
Tudo na vida da gente

Ninguém é tão renitente
Que nunca para e nem cansa
E a rotação conseqüente
Que cada pisada alcança
Um novo passo completa
Seguindo no caminhar
E cada dor que lhe afeta
É um segundo a passar
Na hora em que chega a vez
Quando é a vez de chegar
E com sublime altivez
Constroi o alicerçar
Na arte do bem viver
Para poder ir em frente
Plenamente consciente
Para não mais se perder
Nesse passo a percorrer
Tudo na vida da gente.




Equações Poéticas

Na geometria desse teu espaço
Sou tangente à parábola da poesia
Sou a circunferência no teu braço
E a hipotenusa da tua metria

Traço um raio em plena harmonia
No compasso cateto do teu passo
Sem ter réguas a ti eu faço um traço
Paralelo à a reta da alegria

Marco um X no quadrante da paixão
E a elevo a última potência
Do problema eu sou a interseção

Das palavras eu sou a reticência
Para o amor eu sou tua solução
Na razão do quadrado, a congruência.







O Sertanejo agradece


A cabocla bonita se aconchega
Nos lençóis e nos braços do matuto
No café o reforço absoluto
É o cuscuz temperado na manteiga
Ele reza um pai nosso e a chuva chega
Lhe avisando com um ronco de um trovão
Vem trazendo esperança pro cristão
Pois com agua o caboclo fortalece
Sertanejo erque os braços e agradece
Pelas chuvas no solo do sertão

É tão bom acordar na madrugada
Escutando a orquestra na biqueira
O caboclo do campo a noite inteira
Já vislumbra sua farta milharada
Logo cedo ao som da passarada
No seu carro de boi sai pra função
Vê as vargens crescendo no feijão
Lacrimeja a boneca que floresce
Sertanejo erque os braços e agradece
Pelas chuvas no solo do sertão

Fim de tarde ele junta a filharada
Na varanda da casa a conversar
A familia na hora do jantar
Faz uma prece pra chuva abençoada
Com a mulher, numa rede da sacada
Admira o poder da criação
Ao dormir outra humilde oração
E um acordo com deus estabelece
Sertanejo erque os braços e agradece
Pelas chuvas no solo do sertão

E assim ele segue seu destino
Faz projeto com a safra do roçado
O feijão vai vender lá no mercado
Pra vestir a menina e o menino
E mais forte o caboclo nordestino
Regozija com a sua plantação
E na festa de são Sebastião
Ele manda uma oferenda pra quermesse
Sertanejo erque os braços e agradece
Pelas chuvas no solo do sertão.








Grande Chico

Naveguei por um vagão encantado
Vendo Chico Pedrosa declamar
Vi Jesus apanhando a protestar
Contra um guarda romano embriagado
E ouvi quando o velho Delegado
Acabou com a Briga na Procissão
Vi “Antôin de Jovita” na ilusão
Construir uma guerra lá da Guia
O velho Chico emana poesia
Na ribeira do nosso coração!

Tia Joana contava o prejuízo
Que o menino traquino lhe causou
E o Pilão de Pedra que pilou
Mastigava em versos de improviso
Vi São Brás no momento indeciso
Apertar o botão da “corrução”
Pero Vaz escrever que nesse chão
Tanto dá, como também se procria
O velho Chico emana poesia
Na ribeira do nosso coração!

Vi o Sertão Caboclo, vi Zabé,
Na infância risonha com meus pais
Zé Gogó com palavras magistrais
Numa festa de gado em Sumé
Vi tenentes, soldados em banzé!
General comandando um batalhão
Continências e vôos de avião
Para um Guarda Noturno, um vigia!
O velho Chico emana poesia
Na ribeira do nosso coração!

Ouvir Chico Pedrosa declamar
É andar por um campo de sonho
Entre versos e rimas que componho
Quero humilde, ao mestre aclamar,
Quem desenha num verso um Luar
E descreve com rimas a emoção
Tem também o poder da criação
Que deságua no rio de alegria
O velho Chico emana poesia
Na ribeira do nosso coração!



Vendedor de Coletivo

Com licença ô Pessoal!!!
Desculpe eu “encomodar”
O silencio (da viagem) de vocês
To aqui pra num roubar
Pois sou também cidadão
Mas a minha condição
Não me deixa trabalhar

E pra num ser marginal ô Pessoal!
To arriscando vender
E o que to trazendo aqui
Quero lhes oferecer
Essa grande promoção
Que trago na minha mão
Pra ninguém se arrepender

Pode ir conferir e ver
Em qualquer supermercado
Ela custa um real
Mas aqui bem do seu lado
Preste atenção pessoal!
No preço promocional
Basta cinqüenta trocado....

E pra ser mais arretado
Leva dois por um real
Por três você paga um vale
Num produto natural
Direto do fabricante
Deixa a boca refrescante
Aproveita ô pessoal!

Não vão me levando a mal
Sou vou gastar um minuto
Da sua rica atenção
Eu tenho aqui um produto
Que é cheio de “nutriência”
E toda a sua essência
É retirado do fruto

Em qualquer supermercado
Aqui “mermo” em salvador
Você paga dois “real”
Pra senhora e pro senhor
Eu trago na minha mão
Essa grande promoção
Que é sensacional... Ô Pessoal!

Por apenas um real
Leva a mercadoria
Com um vale, você leva três
Aí é só alegria
Pra você e pro baleiro
Sem gastar muito dinheiro
Sua garganta alivia

Boa Noite! Ô Pessoal!
Essa aqui é minha lida
Que Deus acompanhe a todos
Lhes protegendo na vida!
Valeu aí cobrador!
Muito abrigado motor!
Que eu já to de partida!





Fica aqui a dica para você visitar o http://maviaelmelo.blogspot.com, esse blog maravilhoso, onde encontrará muito mais da arte de Maviael.



"E VIVA A ARTE DO MEU POVO!!!"

3 comentários:

  1. Maravilha de blog. Parabéns! Fiquei muito feliz ao ver meu amigo, Maviael Melo. Muito bom, mesmo...
    Quero muito o cordel "Viagem de Lotação". Sabe como como obter?

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  2. pessoas como vc que contribui e divulgam a nossa cultura popular serão sempre exaltado por todo povo do nordeste blasileiro.parabéms a voçê e a todos da sua igualia. RAIMUNDO NASCIMENTO. SANTA MARIA DA BOA VISTA-PE.

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  3. É com muito orgulho que falo desse cabra arretado... Poeta! Sua arte espalha felicidade, levando sorrisos a vontade... para todas as cidades!Abraço!

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