quarta-feira, 31 de março de 2010

Nilson Chaves O Cantador Do Sabor Açaí



Esse nosso homenageado de hoje é desses tesouros que todo brasileiro devaria ter a obrigação de conhecer. Mas graças a ditadura dessa cultura comercial em que vivemos, a grande maioria tem a infelicidade de não o conhecer.

É um talento que nos trás orgulho de ser brasileiro. Um Cantador que canta sua terra de forma genial. Se você ainda não teve a oportunidade de conhecer Nilson Chaves, não perca mais tempo.

O cantador Nilson Chaves é o homenageadod e hoje. Lá no WIKIPÉDIA você vai encontrar as seguintes palavras sobre ele...

“Carlos Nilson Batista Chaves (Belém do Pará, 8 de novembro de 1951) é um cantor e compositor brasileiro.
Eternizou-se em sua terra natal pela canção "Sabor Açaí". Sendo um dos cantores paraenses mais conceituados no mercado internacional, confessa seu orgulho de ser um artista genuinamente amazônico. Tem dois CDs lançados na Europa, já se apresentou em uma série de shows pela Alemanha e França. Já sofreu indicação ao Grammy Latino, o Oscar da Música Latino-americana. Foi um dos grandes destaques do Fercapo (Festival Regional da Canção Popular) promovido em Cascavel (Paraná) pelo Tuiuti Esporte Clube, entre 1984 e 1986.
Nilson Chaves tem parceiros por todo Brasil, dentre eles o compositor maranhense Jamil Damous, e construiu muitas amizades ao longo de 50 anos de existência que se traduzem em algo importante em sua vida. Foi por saudades dos amigos que ele começou a cantar o Pará, à época em que morava no Rio de Janeiro. Daí a marca de suas músicas influenciada pelas misturas de rítmos paraenses e por colegas, também paraenses, nacionalmente conhecidos.
Foi Sebastião Tapajós, paraense conhecido internacionalmente, principalmente na Alemanha,quem lhe ensinou a aprimorar as técnicas de violão. Lenine, Chico César e Flávio Venturini o influenciaram também contribuindo para a sua formação musical.
A relação com a música começou cedo, quando seu pai era proprietário de uma aparelhagem de som que, além de embalar os bailes, servia para a divulgação de propagandas de trabalhos vindos diretos das gravadoras. Foi assim, acompanhando o pai, que Nilson descobriu João Gilberto, Nara Leão, Maysa, Dolores Duran, pessoas que influenciaram em sua arte.”


E vale a pena também você ir até o site oficial do Nilson para conhecer um pouco mais sobre esse bom brasileiro www.nilsonchaves.com.br/ , lá tem muita coisa legal





Conheça agora duas das composições do nosso homenageado e o seu estilo de compor seu tema preferido.


Sabor Açaí
(nilson Chaves E João Gomes)


E pra que tu foi plantado
E pra que tu foi plantada
Pra invadir a nossa mesa
E abastar a nossa casa
Teu destino foi traçado
Pelas mãos da mãe do mato
Mãos prendadas de uma deusa
Mãos de toque abençoado
És a planta que alimenta
A paixão do nosso povo
Macho fêmea das touceiras
Onde Oxossi faz seu posto
A mais magra das palmeiras
Mas mulher do sangue grosso
E homem do sangue vasto
Tu te entrega até o caroço
E a tua fruta vai rolando
Para os nossos alguidares
E se entrega ao sacrifício
Fruta santa fruta mártir
Tens o dom de seres muito
Onde muitos não têm nada
Uns te chamam de açaizeiro
Outros te chamam jussara
Pões tapioca põe farinha d'água
Põe açúcar não põe nada ou me bebe como um suco
Que eu sou muito mais que um fruto
Sou sabor marajoara
Sou sabor marajoara
Sou sabor...

Destino Marajoara
(Nilson Chaves)


Quando me dei conta
Eu cantava Amazônia
Era um rio de beleza
Navegando em minha voz
O céu do Marajó
O canto do curió
Baía do Sol, quando dei por mim
Um curumim vibrava aqui
O coração de cantador, sorrir, aqui, assim
Destino Marajoara...
Destino Marajoara...

Destino...
Sina, sina, sina
Ajuruteua, Salinas
Tudo que aprendo me ensina
O prazer de te cantar
Sina, sina, sina
Luar de Mosqueteiro fascina
A marujada me anima
Adoro o teu siriá

Quando fiz as malas
Pra correr o mundo
Mergulhei meus olhos
No fogo do teu calor
O límpido igarapé
O Círio de Nazaré
Alter do Chão, não fique distante
Não te esqueci nenhum segundo
Teu amuleto está no mundo
Em mim, aqui, assim

Destino Marajoara
Destino Marajoara
Destino...




Além de compositor, Nilson Chaves, é interprete dos melhores cantando músicas do seu tema preferido, como...

Amazônia
Compositor(es): Desconhecidos


Se eu tenho a cara do saci,o sabor do tucumã
Tenho as asas do curió,e namoro cunhatã
Tenho o cheiro do patchouli e o gosto do taperebá
Eu sou açaí e cobra grande

O curupira sim saiu de mim, saiu de mim, saiu de mim...

Sei cantar o "tá" do carimbó, do siriá e do lundú
O caboclo lá de Cametá e o índio do Xingu
Tenho a força do muiraquitã

Sou pipira das manhãs
Sou o boto, igarapé
Sou rio Negro e Tocantins

Samaúma da floresta, peixe-boi e jabuti
Mururé filho da sela
A boiúna está em mim

Sou curumim, sou Guajará ou Valdemar, o Marajó, cunhã...
A pororoca sim nasceu em mim,nasceu em mim, nasceu em mim...

Se eu tenho a cara do Pará, o calor do tarubá
Um uirapuru que sonha
Sou muito mais...
Eu sou, Amazônia!


" E VIVA A ARTE DO MEU POVO!"

terça-feira, 30 de março de 2010

Eugênio Avelino È Um Cantor, Compositor E Violeiro Brasileiro



Já foram homenageados aqui, poetas, artistas plásticos, sites, casa de show, revista, apresentadores, programas televisivos, violeiros.
Agora chegou a hora de homenagear os cantadores e aí é impossível começar a homenagear estes representantes fiéis da nossa brasilidade brasileira,da nossa cultura popular, sem começar por ele, Eugênio Avelino, ou simplesmente, Xangai. Sem medo de errar, Xangai é o grande cantador da Bahia, com uma voz única e uma sensibilidade só sua, para a cultura popular.

No site WIKIPEDIA encontramos o seguinte sobre ele...

“Eugênio Avelino, popularmente conhecido como Xangai (Itapebi, 20 de março de 1948) é um cantor, compositor e violeiro brasileiro.Nasceu às margens do Córrego do Jundiá, afluente do Rio Jequitinhonha, na zona rural do município de Itapebi, no extremo sul da Bahia.
Filho e neto de sanfoneiro, ainda aos 18 anos fixou-se com os seus pais na cidade de Nanuque, no norte de Minas Gerais. Xangai é descendente direto do bandeirante João Gonçalves da Costa, fundador do Arraial da Conquista, atualmente Vitória da Conquista.
Viveu em Vitória da Conquista, na Bahia, de onde recebeu a influência que o tornou um cantor sertanejo.
Seu pai era proprietário de uma sorveteria chamada Xangai na cidade de Nanuque, daí se originando o seu apelido e atual nome artístico.
No ano de 1976, gravou o seu primeiro disco, "Acontecivento", com destaque para as músicas Asa Branca, Forró de Surubim e Esta Mata Serenou.
Apresenta na Rádio Educadora da Bahia o programa "Brasilerança", através do qual contribui para a divulgação da cultura musical da região nordestina brasileira.
É considerado como o melhor intérprete de Elomar, propiciando inclusive a facilitação do entendimento das composições deste compositor classificado como erudito por muitos.
Participou com o cantor Waldick Soriano dos últimos shows da carreira deste antigo nome da chamada música brega brasileira, inclusive na cidade natal de Waldick, Caetité, em 26 de maio de 2007. ”




Além de Cantador dos bons, Xangai também tem composições sensacionais como as que seguem:


Galope à beira-mar soletrado
(Xangai e Ivanildo Vilanova)


No ma-ti-nal
a me-ren-da
re-co-men-da
ser só fru-gal
pas-ta den-tal
de es-co-var
de-ve la-var
com co-li-pe
no ga-lo-pe
da bei-ra-mar

Não dei-xe
o in-tes-ti-no
fi-car fi-no
que só fei-xe
co-ma pei-xe
no pa-la-dar
um ca-la-mar
es-ca-lo-pe
no ga-lo-pe
da bei-ra-mar

Um ex-em-plo
de gi-gan-te
ru-mi-nan-te
um ca-me-lo
pa-ta pe-lo
ru-di-men-tar
pa-ra ma-tar
se-re-le-pe
no ga-lo-pe
da bei-ra-mar

Es-car-la-te
tan-ge-ri-na
vi-ta-mi-na
no to-ma-te
a-ba-ca-te
ver-de po-mar
pa-ra cor-tar
tos-se gri-pe
no ga-lo-pe
da bei-ra-mar

Um re-gi-me
de ver-da-de
li-ber-da-de
é seu ti-me
é su-bli-me
ser po-pu-lar
par-la-men-tar
par-ti-ci-pe
no ga-lo-pe
da bei-ra-mar



Qué qui tu tem canário?
(Xangai e Capinan)


Canarinho da terra
canarinho do rio
canário da Bahia
Que qui tu tem canário?
Sabiá da mata, sabiá congá
sabiá da praia
Que qui tu tem na asa?
quando disser não caia
Meu curió do brejo
meu sofrê sem dor
Minha lavandeira
Que qui tu tem jandaia?
que avua tão ligeira
Gavião peneira, gavião penacho
pato da lagoa
Que qui tu vê na água?
que tanto te magoa
Minha zabelê
minhas andorinhas
Oh! ó meu canarinho
Que qui tu tem bichinho?
que cisca miudinho
que canta corridinho
que avoa tão baixinho
que não voltou pro ninho
Que qui tu tem canário?...




Músicas de outros poetas/compositores popular ficaram imortalizadas com a sua voz e interpretação. De tantas foram escolhidas duas para você se deliciar....


Ai d'eu sodade
(Anônimo)


Marido se alevanta e vai armá um mundé
prá pegá u'a paca gorda
prá nós fazê um sarapaté
Aruera é pau pesado, nué minha véa
cai e machuca meu pé
e ai d'eu sodade

Intonce marido se alevanta e vai na casa da tua vó
buscá a ispingarda dela
procê caçá um mocó
só que no lajedo tem cobra braba, nué minha véa
me morde e fica pió
e ai d'eu sodade

Marido se alevanta e vai caçá u'a siriema
nois come a carne dela
e faiz u'a bassora das pena
quem me dera tá agora, nué minha véa nos
braço d'uma roxa morena
e ai d'eu sodade

Sujeito se alevanta e vai na casa do venderão
comprá u'a carne gorda
prá nois cumê um pirão
é que eu num tenho mais dinhero, nué minha véa
fiado num compro não
e ai d'eu sodade

Marido se alevanta e vai na venda do venderin
comprar déis metro de chita
pra fazê ropa pros nossos fiin
aí dent'o tem um cochão véi, nué minha véa
dismancha e faiz u'as carça prá mim
e ai d'eu sodade

Disgramado te alevanta dexa di cê priguiçoso
o home qui num trabaia
num pode cumê gostoso
é que trabaiá é muito bom, nué minha véa
mais é um poco arriscoso
e ai d'eu sodade

Marido te alevanta e vem tomá um mingau
qui é prá criá sustança
prá nois fazê um calamengau
brincadeira de manhã cedo, nué minha véa
arrisca quebrá o pau
e ai d'eu sodade

Marido seu disgraçado tu ai de morrê
cachorro ai de ti latí
e urubú ai de ti cumê
se eu soubesse disso tudo, nué minha véa
eu num casava cum ocê
e ai d'eu sodade.



Matança
(Jatobá)


Cipó caboclo tá subindo na virola
Chegou a hora do pinheiro balançar
Sentir o cheiro do mato da imburana
Descansar morrer de sono na sombra da barriguda
De nada vale tanto esforço do meu canto
Pra nosso espanto tanta mata haja vão matar
Tal mata Atlântica e a próxima Amazônica
Arvoredos seculares impossível replantar
Que triste sina teve cedro nosso primo
Desde de menino que eu nem gosto de falar
Depois de tanto sofrimento seu destino
Virou tamborete mesa cadeira balcão de bar
Quem pra acaso ouviu falar da sucupira
Parece até mentira uqe o jacarandá
Antes de virar poltrona ports armário
Mora no dicionário vida eterna secular

Quem hoje é vivo corre perigo
E os inimigos do verde da sombra o ar
Que se respira e a clorofila
Das matas virgens destruídas vão lembrar
Que quando chegar a hora
É certo que não demora
Não chame Nossa Senhora
Só quem pode nos salvar é

Caviúna, cerejeira, baraúna
Imbuia, pau-d'arco, solva
Juazeiro e jatobá
Gonçalo-alves, paraíba, itaúba
Louro, ipê, paracaúba
Peroba, massaranduba
Carvalho, mogno, canela, imbuzeiro
Catuaba, janaúba, aroeira, araribá
Pau-fero, anjico, amargoso gameleira
Andiroba, copaíba, pau-brasil, jequitibá



"E VIVA A ARTE DO MEU POVO!"

segunda-feira, 29 de março de 2010

Nivaldo Cruz E O Dinheiro Brasileiro






Outro dia tive a oportunidade de ler uma matéria sobre a história do dinheiro no nosso país. Gostei tanto que resolví pegar alguns dados e colocá-los em verso popular. O resultado desse projeto você ler abaixo..


O Dinheiro Brasileiro
Nivaldo Cruz


Bebendo na fonte
Da publicação de fato
Que dá a esta nossa
Cultura bom trato,
Que é o Almanaque Brasil
De Elifas Andreato.

Em sua paginas
Foi que eu encontrei
Uma matéria especial,
Onde me atentei
Para o assunto que
Agora, aqui descreverei.

Apesar de para nós
Ele ter muita importância
Muitos, sobre sua história
Só tem mesmo ignorância,
Poucos são os que mantêm
Sobre ele observância.

Antes que vossa senhoria
Perca a sua paciência
E comece a pensar
Em atos de indecência
Sobre a pessoa desse poeta
De pouca competência.

Quero lhe avisar
Que é sobre o dinheiro
Que vou escrever.
Esse amigo traiçoeiro
Que ajuda, escraviza e mata
È um bom/mau verdadeiro.

O nosso dinheiro como
A maioria de tudo que há
Veio pras terras de cá
Trazido d’além mar
Pelos patrícios portugueses
Que vieram de lá.

Isso no século Dezesseis
Foi que aqui chegou
As notas de Réis
Que por aqui ficou
Até o ano de 1942
Quando o Cruzeiro iniciou.

A partir desse momento
O Brasil passou a ter
Sua própria moeda,
Seu próprio poder
Sem do nome do dinheiro
Dos outros precisar depender.

Mil reis em um Cruzeiro
Naquele ano se transformou
Muita gente atordoada
Bem sei que ficou
Sem entender nada
Do que se passou.

Até o ano de Setenta
O cruzeiro sobreviveu
Mas devido as desvalorização
O Cruzeiro Novo apareceu
Mil de novo passou a ser um
Quase ninguém entendeu.

70 nem tinha acabado
E olha ele de novo,
O Cruzeiro volta à cena
Pra alegria do povo,
Dessa vez um virou um
Não teve estorvo.

Dezesseis anos passaram
E a megera da tal inflação
Andava corroendo
As economias da nação
Aí não deu outra,
O Cruzeiro, saiu da ação.

Em seu lugar varonil
Chegou o tal do Cruzado.
Mil virou um, mais uma vez
Ficando assim alterado
O cambio brasileiro e
A economia do estado.

Três anos depois
Outra alteração se fez
A moeda foi mudada
De novo! Outra vez.
Chegou o Cruzado Novo
Pra pagar as contas do mês.

Assim a conhecida
História se repete,
Da nota de mil corta
Três zeros, a um submete
E no nosso bolso o dinheiro
Some, dissolve, derrete.

Nos anos de 89 e 90
Esse foi o nosso dinheiro
Mas, a inflação ainda era
Um mal verdadeiro
Consumia nossa economia
E nosso trabalho por inteiro.

Em mil novecentos e 90
Olha o Cruzeiro de volta
Dessa vez a historia é amena
Não precisou de nem um corta,
Mil continuou mil
E isso é o que importa.

Na briga do governo brasileiro
Com a peste do bicho inflação
O Cruzeiro mais uma vez
Foi vítima de liquidação.
No ano de mil novecentos e 93,
O Cruzeiro Real fez aparição

A tesoura do Banco Central
De novo se fez presente
Cortou os três zeros
Da nota de mil da gente,
A pobre virou um.
Aconteceu novamente.

O Cruzeiro Real foi
A moeda da transição
Da batalha final do
Governo com a inflação
Que era o grande mal
Que atrasava a nação.

Para poder solidificar
A estratégia vencedora
No ano de mil novecentos e 94
Chega à moeda detentora
Do poder de conter a inflação
E controlar a impostora.

Bem diferente das outras
Ela nenhum zero cortou
Mas, dois mil 750 Cruzeiros Reais
Em um Real se transformou.
E desde lá nosso dinheiro,
Graças a Deus, não mudou.

Aqui eu tentei
De forma ligeira
Fazer um relato
Da moeda brasileira
Trazendo um pouco
Da história verdadeira.

Muito mais sobre
O assunto existe,
Se você ficou curioso
Por favor não hesite
Busque outras informações
A pesquisa pratique.

Nós precisamos conhecer
Nossa cultura, as nossas histórias
Para valorizar nosso povo
Suas lutas e suas vitórias
E aprender que esse País
Se fez com lutas, dor e glórias.

Não quero desmerecer
Outros povos e países
Porém não posso admitir
Que brasileiros infelizes
Fiquem cegos pro passado
Esquecendo as nossas raízes.

Valorizando culturas alheias
Que também tem o seu valor
Mas, depreciando o que é nosso
Isso é que me causa horror.
Porque a cultura é o povo
E o povo sou eu e você doutor.

Por isso aqui rendo homenagem
Ao grande Elifas Andreato
Poeta da imagem e incentivador
Da nossa cultura de fato.
Seu Almanaque Brasil é da
Nossa cultura o retrato.

Se você, nunca ouviu falar
Ta na hora de pesquisar,
Vá na internet buscar,
Lhe garanto, que vai gostar,
Veja e assine logo pra ajudar
A cultura brasileira salvar.


"E VIVA A ARTE DO MEU POVO!!!"

domingo, 28 de março de 2010

Cidade Da Cultura, Um Espaço De Lazer Em Forma De Cultura



A nossa brasilidade brasileira, em especial a chamada cultura popular, tem um espaço reservado pra ela em Feira de Santana. Um espaço que tem simplicidade, humildade e beleza, como tudo que é Brasil.



Estou falando da Cidade da Cultura, um cantinho aconchegante pra quem gosta do que é nosso, onde podemos encontrar um pouco da nossa comida, da nossa bebida, da nossa musica, da nossa poesia e principalmente do jeito da nossa gente.
A Casa da Cultura é um sonho realizado do Poeta, Cantador, Violeiro, Produtor Cultural, Empresário Cultural, Nordestino, Baiano, Feirense e Tiquaruçuense Asa Filho. Ele juntamente com o também poeta e Cantador de mão cheia Cescé, criaram o espaço. Depois Cescé saiu e Asa continuou, graças a Deus, tocando o projeto que a cada dia absorve o reconhecimento de mais pessoas.
O espaço de lazer em forma de cultura, como ele mesmo define, fica localizado na Rua H, Nº 170, no Conjunto João Paulo II e é aberto ao público nas noites de quinta-feira, sexta-feira e sábado, já no domingo é aberto para o almoço até as 15 horas.
É um espaço que quem vai, não deixa de voltar pelo menos mais umas 10 vezes.
O A Arte Do Meu Povo rende aqui uma homenagem a esse espaço nosso.




Veja abaixo as palavras de Asa Filho sobre seu projeto:



“Cidade da Cultura é uma cidade dentro da cidade, promovendo cultura e arte, pequenininha, sem muito congestionamento, sem hospital, sem farmácia, sem delegacia . Só prazer, poesia, poesia, poesia.
As pessoas em Feira de Santana dizem que a cultura de Feira é bar, ao contrário, tem muita coisa boa de teatro, artes , declamações, poesias, poetas, artistas nós temos. Mas, aquela questão, de sair pra um lugar e fazer daquele lugar entretenimento, ir a um bar. Então, Eu mais meu amigo Cescé tivemos uma idéia, assim, de transformações, e quando chegamos no final da reta, que não íamos mais pra lugar nenhum,esse espaço aqui é nosso, eu tive a idéia de fazer desse espaço, com uma cervejinha, tira gosto, também um espaço de informação da cultura,um espaço de lazer em forma de cultura.” Asa Filho

Para saber mais sobre esse local especial é só acessar o blog: http://cidadedacultura.arteblog.com.br/

"E VIVA A ARTE DO MEU POVO!"

sexta-feira, 26 de março de 2010

Rodolfo Coelho Cavalcanti



Nos tempos auréos do cordel, ele foi considerado o grande mestre, além de poeta , era um folheteiro sem igual. Quem o viu vendendo seus cordéis nas feiras(inclusive na grande feira, das segundas-feiras de Feira de Santana) conta que era um verdadeiro show artístico ao ar livre. Dizem até que é dificil se ele era melhor poeta cordelista ou vendedor de sua obra.
Na realidade o que se pdoe dizer é que foi um grande brasileiro, mas um gênio que o Brasil precisa conhecer melhor para valorizá-lo mais.
O site http://www.casaruibarbosa.gov.br/cordel/RodolfoCoelho/rodolfoCoelho_biografia.html trás estas informações sobre o nosso homenageado:

“Rodolfo Coelho Cavalcanti nasceu em Rio Largo (AL) em 1919. Entretanto, consta do registro de nascimento a data de 1917. Filho de Arthur de Holanda Cavalcante e Maria Coelho Cavalcante, foi criado pelos avós maternos até os 8 anos, quando retorna à casa dos pais. As constantes mudanças entre Maceió e Rio Largo o obrigaram a trabalhar para ajudar no sustento familiar.
Adolescente, percorre parte do Norte e Nordeste, atuando como camelô, palhaço de circo, dentre outras atividades. Desde essa fase, já se faz notar como bom versejador, participando de pastoris, cheganças e reisados.
Defensor dos poetas
Em Parnaíba (PI), adquire folhetos do poeta e editor João Martins de Ataíde para revender, começando assim sua vida de folheteiro. Instala-se em Salvador (BA), em 1945, firmando-se como defensor e líder da classe de poetas. Publica folheto dedicado ao governador Otávio Mangabeira, que libera poetas, cantadores e folheteiros da proibição de comercializarem seus produtos em praças públicas. Publicou principalmente em Salvador e Jequié; formou uma vasta rede de agentes distribuidores em todo o Nordeste, editou também na Prelúdio (SP).
Realizou na Bahia, em 1955, o I Congresso Nacional de Trovadores e Violeiros. Como jornalista, fundou alguns periódicos, como A Voz do Trovador, O Trovador e Brasil Poético.
Percorreu vários temas da literatura de cordel, os mais recorrentes foram os abecês, biografias, cantorias e fatos do cotidiano. Foi também tema de vários poetas e pesquisadores da literatura de cordel.
Folhetos artesanais
Seus folhetos, em sua maioria, de oito páginas, com capas em xilogravuras ou clichês, eram confeccionados artesanalmente, com a ajuda dos filhos. Somente a impressão era feita em tipografias.
Publica o primeiro folheto, Os clamores dos incêndios em Teresina. Publica o ABC de Otávio Mangabeira, em 1949; ABC da praça Cayrú, [19--]; ABC de Getúlio Vargas, [19--]. Seu primeiro grande sucesso de vendas foi A volta de Getúlio, de 1950. Na Prelúdio (SP), os folhetos ABC dos namorados, do Amor, do Beijo e da Dança e A Chegada de Lampião no Céu, ambos em 1959.
Morreu em 1986. Pouco antes, enviou trova para o II Concurso de Trovas de Belém do Pará: “Quando este mundo eu deixar / A ninguém direi adeus / Dos poetas quero levar / Suas trovas para Deus.”

quarta-feira, 24 de março de 2010

RENATO CALDAS O Poeta Do Assu - RN



O nosso homenageado de hoje é o Poeta Popular Renato Caldas e sobre ele o Blog
http://velhomoita.blogspot.com/2006/01/ful-do-mato.html diz os eguinte...


"RENATO CALDAS - Nasceu em Assu-RN, a 08 de Outubro de 1902. Além de poeta popular, foi um homem de vasta cultura e extrema inteligência, destacou-se também, como um notável seresteiro das noites assuense. O seu mais famoso livro "FULÔ DO MATO", alcançou a 16a. Edição, em 1984."

A Grande obra prima do mestre é..

Fulô do Mato
Renata Caldas


Em homenagem a minha amiga Saramar,
que tanto gosta de Poesia Matuta.
E que eu tanto gosto dela.
Escolhi a melhor, ou melhor,
a que mais gosto.

Sá dona, vossa mercê
é a fulô mais chêrosa,
a fulô mais perfumosa
que meu sertão já botô.

E pode juntar um cardume
de tudo que for prefume,
de tudo que for fulô
que nenhuma, nenhuma só,
tem o cheirinho do suó
que seu corpinho suô.

É o cheiro da madrugada,
fartum de areia moiáda
que o orváio enchombriô.

É um cheiro bom, deferente
que a gente sentindo, sente;
das outras coisa, o fedô.


"E VIVA A ARTE DO MEU POVO!"

terça-feira, 23 de março de 2010

Paulo Varela Um Cabôco Escrevedô E Contadô De Causos Matutos



O Poeta Popular Paulo Varela é de uma veia cômica magestral, e sabe aproveitar muito bem esse seu lado, trazendo para a poesia popular o cotididiano e até as mazelas do interior nordestino com graça e humor.

Para saber mais do poeta vamos aqui utilizar as palavras do Blog http://blogdofernandocaldas.blogspot.com/2008/02/um-poeta-matuto.html que são estas...

"...O poeta popular Paulo Varela é natural do Assu (RN), considerado um dos melhores poetas matutos desse Nordeste. Ele, Paulo, é gago e declama sem dificuldade. Já se aprentou no Programa do Jô, na TV Globo, bem como é convidado para palestras e conferências sobre a sua poesia genuinamente matuta. Poucos dias depois, a Globo reapresentou a sua entrevista em razão de já ter sido um sucesso total em todo o Brasil. Ele participa de feiras de artezanatos e da Festa do Boi, em Parnamirim (RN), onde arma um stander (uma casa de taipa, típica do sertão do Nordeste, que ele mesmo constroi), onde vende seus discos (cd), folhetos de cordel e apresenta a sua arte de versejar nas casas de shoows de Natal. Um dos seus discos intitula-se "Remédio Pra Subir Pau", 2004. Segundo o poeta que começou a escrever poesias a trinta anos atrás, já tem quase duas mil composições. Ele também artista plástico e "se diz um cabôco escrevedô e contadô de causos matutos".

Oprofessor e historiador Edson Aquino Cavalcante escreveu sobre Paulo dizendo que ele "tinha jeito para o desenho artístico, mais tardes resulta neste mestre que deixa todos boquiabertos com a sua capacidade de criação. Sendo hoje um contador de causo de primeira linha".

A propósito da sua entrevista no Programa do Jô apresentado, salvo engano, no dia 02 de fevereiro e reapresentado no dia 21 de março de 2005, o jornal "O Mossoroense", publicou a seguinte nota: "A madrugada do último sábado foi marcada pela presença do poeta popular assuense Paulo Varela no Programa do Jô. O homem deu um verdadeiro show mostrando que a cultura popular é rica (...).

Afinal de contas Paulo Varela é de onde? Não é do Assu, terra de tantos poetas e trovadores consagrados nacionalmente! Vamos conferir a sua verve, a sua criatividade poética que agrada a leigos e letrados:


Pro mode dessas doidice
Que temo que escutar
Tanta coisa ripitida
Desses tanto bla-blá-blá
Por isso qui tenho dito
Os versos são mais bunito
Do que esses pocotó
Gente sen arte tá rico
E ouvido não é pinico
E nem também urinó
Faço coisa diferente
Dessas raízes da gente
Pois eu acho mais mió

Falo de nossas sabenças
Das nossas maledecências
Das coisas do mei rurá
Eu falo do sofrimento
Do chicotar do jumento
Do vôo do carcará
Falo do gado magrenho
Da cachaça, do engenho
Do nordestino sofrido
Desse mato ressequido
Do espinho unha-de-gato
Tocaia no mei do mato
Das poça, do lamaçá
Da mãe que dá de mamar
Do aboiar do vaqueiro
Do repicar do ferreiro
Das prece, dos retirante
Dos bando de avuante
Do sol amarelo e quente
Da fome de nossa gente
Cangaia, borná, chucaio
Tropeiro no seu trabaio
Bisaca, xote, capim
Das negas, dos cabra ruim
Viola, moitão, furquia
Do calor do meio-dia
Casa de taipa, forró
Cachorro, gato, socó
Dos cabôco bom de briga
Das gostosas rapariga
Trinchete, alguidá, panela
Do pilão, cabaço e vela
Do luar, da lamparina
Dos perfume das menina
Quengo, feira e caçote
Biqueira, coice, magote
Farinha, feijão, arroz
Do nosso baião-de-dois
Cangapé, foice, matuto
Nossa fé, do nosso luto
Dos andar das romaria
Do repente, cantoria
Das beatas rezadeira
Dos tiros de baladeira
Dos bolão de vaquejada
Dos coriscos, trovoada
Enxada, perneira e pá
Brida, roçado, vasante
Mas vamos mais adiante
Que não parei de falá.


No folder da festa de São João, de 2004, a festa maior do Assu, está transcrito um poema convite de sua autoria, desta forma:

Pros cabôcos que é de fora
Nóis queremo convidá,
Pra beber de nossa água,
Pro móde nóis forrozá.
Ver quadria e buscapé,
Quem sabe arranjá muié,
Cum as cabôcas se insfergá.
Quem sabe arranjá cabôco
Pra sair do caritó,
Pra resolvê seu sufôco.
In nossa festa arretada,
Só vai tê gente educada,
I vai ser coisa de lôco.
Tem mio, canjica e baião,
Pamonha, alfinim, bandeira,
Xote, buchada e fugueira.
Vai tê balão em fileira,
E a novena é de primêra.
Tem corrida de jumento,
Umas bandas de talento,
E um show de alegria.
Eu lhe convido de novo,
Pra tú cunhecê o povo
Da terra da poesia.


Paulo é chamado no Assu, como "Poeta" e em Natal, é conhecido como "Mestre Paulo Varela"."

"E VIVA A ARTE DO MEU POVO!"

segunda-feira, 22 de março de 2010

Nivaldo Cruz Em Vado Do Véi Pêdo E A Cidade Encantada



Hoje trago mais uma aventura de Vado do Véi Pêdo. É mais uma versão, minha, de uma lenda brasileira em forma de verso popular e inspirada nas pesquisas do Grande Folclorista brasileiro Câmara Cascudo. Espero que gostem!

Vado do Véi Pêdo e a Cidade Encantada
Nivaldo Cruz


Pru senhores
Não sentirem saudade
Das nossas conversas
Com muita identidade.
A lenda que vou contar
Aconteceu numa cidade.

Vado do Véi Pêdo
Achou de ir e se achegar
Em Jericoacoara
Cidade boa do Ceará
Em sua viagens
Viajando pro lado de lá.

E ali ele conheceu
Uma história, uma lenda
Da cidade encantada
Duma princesa, uma prenda
Que no lugar existia
Bem dentro duma fenda.

Foi um pescador
Que a Vado tudo contou
Que de baixo do serrote
Do Farol lá já brotou
Uma cidade, que a muito
Tempo atrás se encantou.

Lá perto da praia
Quando baixa a tá maré
Aparece uma furna, onde
Só se entra de quatro pé,
É lá a entrada da cidade
Da serpente que é mulé.

Quando alguém na furna
Tenta e consegue entrar,
Mais que do inicio não vai,
Porque não pode passar.
Lá tem um portão de ferro
Pra todos poder barrar.

Disse o pescador, que
Na cidade, bem no mei
Está a princesa encantada
Sem o seu poderoso rei.
A espera do desencanto,
Como manda sua grande lei.

O corpo da Princesa
É de cobra e é coberto
Com escamas de ouro
Pra ver, só se for de perto
A cabeça e os pés
É de gente, disso tô certo.

Os valente, que com
A princesa quiser casar
Antes então tem que
Um cristão pegar e matar
E com seu sangue
A bela dama desencantar.

Com o sangue
De uma pessoa humana
O dito tem que fazer
O sinal da cruz cristiana,
No dorso da serpente,
Assim o encanto se emana.

O valente então, se
Casa com a princesa bela
E sua rica cidade,
Vai ele governar com ela
Pra isso na boca da gruta, tem
Que imolar um em favor dela.

Quando o encanto
Alguém conseguir acabar
Vai sumir a ponta escalvada
E agreste, e no seu lugar
As torres do Castelo
Vão assim desabrochar.

As cúpulas do palácio
Também deve aparecer.
E muita riqueza
Dali então vai prover,
Quem estiver vivo
Tudo isso vai poder ver.

Existiu num certo tempo
Queiroz, um feiticeiro
Que tentou com o encanto
Por fim acabar, foi o primeiro.
Com a fé nos profetas
Ele se confiou inteiro.

Certo dia acompanhado
Cheio de muita gente
Ele foi até gruta
E aconteceu de repente
De nela penetrar
Mas, foi inconseqüente.

A princesa cobra
Pra ele, bem ali, apareceu
Esperando que desse
Fim ao sofrimento seu,
Mas como ninguém
Que tava ali seu sangue deu.

Tudo estava como antes
O encanto não se quebrou.
O feiticeiro por estupidez
Muito caro então pagou
Virou preso de cadeia na
Terra encantada ficou.

O por que de ninguém
Dar o sangue por querer
Num foi nem o medo
De se acabar e morrer,
Era que todos queria
Com a princesa viver.

O negócio é que
Até hoje nesse dia
A princesa tá lá
Na sua pobre agonia
Esperando um valente
Que lhe traga alegria.

Até hoje ela
Ainda está bem lá e é
Um bicho estranho
Meio cobra, meio mulé
Com seus tesouros
E o seu precioso mundé.

Taí pra sua aligria
Trouxe mais uma lenda
Do nosso Brasil
Mas por favor aprenda!
Tem muita coisa boa.
Pois, assim defenda.

Câmara Cascudo
É fonte de dar de beber
Obrigatória pra q’ele
Que quer muito se saber
E das coisas do Brasil
Também vir a conhecer.

Essa dica eu
De graça venho e lhe dou
Por isso procure
Lê ele e ler muito doutor
Lá vai encontrar
Todo o nosso valor.

Assim, vai se orgulhar
De ser bem aqui nascido
Em terras tão boas
E de ter também crescido
O Brasil tem tudo de bom
Só tá é meio escondido.



“ E VIVA A ARTE DO MEU POVO!”

domingo, 21 de março de 2010

Juraci Dórea O Sertão Nas Artes Plásticas



Feira de Santana tem filhos que lhe orgulham, e com certeza o homenageado de hoje do “ A Arte Do Meu Povo” é um desses filhos. Com uma personalidade artística única, Juraci Dórea leva o nome da Princesa do Sertão para o mundo. Sua arte é baseada no cotidiano e no ser do sertanejo, seus utensílios, seus objetos, seus animais, sua religiosidade, seus sonhos,seus amores...

Para conhecer mais sobre o artista você pode acessar o site http://www.uefs.br/nes/juracidorea/interno.php?secao=biografia que trás a seguinte referencia:


JURACI DÓREA (Juraci Dórea Falcão) nasceu em Feira de Santana, Bahia, em 15 de outubro de 1944. Filho de Elberto Lisboa Falcão e Julieta Dórea Falcão. Arquiteto diplomado pela Faculdade de Arquitetura da Universidade Federal da Bahia (dezembro de 1968). Dirigiu o Departamento de Cultura do Município de Feira de Santana, na administração do professor José Raimundo Pereira de Azevedo, de 1994 a 1996, período em que idealizou o Museu de Arte Contemporânea de Feira de Santana. Mestre em Literatura e Diversidade Cultural pela Universidade Estadual de Feira de Santana (março de 2003). Dedica-se às artes plásticas desde o começo dos anos 60 e já participou de numerosas exposições no Brasil e no exterior.”


Agora um pouco da obra desse grande Artista Plástico feirense...










" E VIVA A ARTE DO MEU POVO!"

sábado, 20 de março de 2010

Amazam O Poeta Do HumoRimado



O homenageado de hoje, graças a Deus, vai na contra mão do que cansamos de dizer aqui, a falta de valorização e reconhecimento. O poeta Amazan é reconhecido e é valorizado pelo trabalho que faz. Dentre outros dons Amazan é forrozeiro e poeta em uma categoria da cultura popular que ele denomina humor rimado, com estórias populares deliciosas.

Segundo o site oficial http://www.amazan.com.br ...

“Amazan nasceu em Campina Grande, no dia 05 de Outubro de 1963 e foi criado em Jardim do Seridó, interior do Rio Grande do Norte, onde desde criança já apreciava a poesia e a boa música nordestina, começando a tocar com uma velha sanfona emprestada de seu primo Hamilton. O que parecia brincadeira de criança se tornou parte mais importante da vida profissional de Amazan e o cantor já percorreu todo o Brasil cantando o ritmo mais nordestino de todos: o forró.
Em Jardim do Seridó viveu até os 19 anos, quando voltou para Campina Grande. Na Rainha da Borborema, por volta de 1984, conheceu o grupo de cultura nativa Tropeiros da Borborema, e a convite de Gerson Brito, seu Diretor, passou a ser "tocadô oficiá dos tropêro". Como membro dos Tropeiros, Amazan teve oportunidade de mostrar a sua arte para vários estados brasileiros e até para a Europa, sendo o grupo uma vitrine para o seu trabalho e para uma mudança profunda na sua visão do mundo. O seu fascínio pela música determinou definitivamente os caminhos pelos quais iria percorrer, e junto com dois outros integrantes formou "Os Três do Forró" e gravou o seu primeiro compacto. Algum tempo depois este grupo se desfez e um novo trio foi criado, o "Festejo Nordestino", e mais um compacto gravado. Era o início de uma definição profissional.
Em 1989, em carreira solo, Amazan grava o primeiro LP, "Naturalmente" e começa assim uma carreira de sucesso crescente. A poesia chegou primeiro na vida de Amazan. “Palavra de Nordestino” e “Nordeste em Carne e Osso” foram as suas primeiras empreitadas no mundo literário – mas já aos doze anos escrevia versos de cordel. Este ano ele lançou o seu terceiro livro, HumoRimado.
As suas composições atestam a sua maturidade e a autenticidade de quem cresceu em contato com a típica condição nordestina, ouvindo cantigas que carregavam em suas letras a realidade do sertão e o retrato genuíno da saga de pessoas que conhecia e eram personagens dessas histórias.
Amazan é amante do forró, enriquecido pelas raízes culturais que lhe deram suporte para buscar estabilidade e autenticidade, mas também pela responsabilidade de levar ao seu público uma cultura enraizada nos pilares nordestinos, com amor e respeito ao gênero musical sem recorrer a apelos agressivos. E nesse caminho, canta e conta as paixões, o pensamento e a cultura de um povo, sendo a música e a poesia um veículo mágico para transformar dificuldades e tristezas, e exaltar a alegria do canto e da dança.”


Dos muitos causos popular engraçados, apresentamos dois aqui pra você se deliciar...



HOMEM DE SORTE -
AMAZAN


Sou um sujeito de sorte,
não sei por que sou assim,
não existe homem de sorte
pra ter sorte igual a mim.

No ano que eu nasci
no Nordeste não choveu,
o meu pai olhou pra eu
disse: - Esse tá lascado.
Num tinha leite de gado,
nem de cabra, nem de lata.
De tanto comer batata
fiquei com bucho quebrado.

Eu tava desempregado
fiquei logo aperriado,
peguei plantei um roçado
na terra dum tio meu
nesse ano num choveu,
lavoura não prosperou
e algum pé que escapou
o gafanhoto comeu.

Uma vez lá num forró
fui apartar uma briga
o diabo duma intriga
que eu não sei da onde vei
quando eu saltei no mei
foi peia pra todo lado,
inda hoje ando empenado das pancadas que levei.

Inventei de cortar cana
no estado de Goiás,
Tava achando bom demais,
mas entrei numa sueca,
deu-me uma febre da breca,
fiquei verde que nem lodo
caiu meu cabelo todo,
inda hoje eu sou careca.

Inventei de comprar roupa
pra vender à prestação
comprei mais de seis milhão
calça, camisa e cortina
vendi tudinho em Campina,
mas, porém, tudo fiado,
num recebi um cruzado,
fiquei de cara pra cima.

Deixei de fumar somente
pra mode economizar
uns tostões pude ajuntar,
comprei um touro de raça,
mas, porém, uma desgraça
aconteceu no cercado
meu touro morreu queimado,
perdi tudo na fumaça.

Comprei um carro fiado
a um tal de Cabecinha,
mas um certo dia eu vinha
carregado de batata,
fui livrar uma barata,
o carro velho virou,
na virada se acabou
num prestou nem pra sucata.

É por isso que eu digo.
Quem quiser que ache ruim.
Sou um sujeito de sorte,
não sei por que sou assim,
não existe homem de sorte
pra ter sorte igual a mim.


A BODEGA DO MATUTO
Amzan



Em alta voz e bom tom
a minha mãe já dizia:
- Se conselho fosse bom
não se dava, se vendia.
E eu que sempre lhe segui
confesso que me iludi
por arte não sei de quê
no dia que João Vermêi
me disse: _Eu tenho um concêi
pra mode dá a você.

Você vive feito um burro
trabalhando no pesado
todo dia dano duro
sem nunca ter resultado;
O concêi qu'eu vou lhe dá
se você me escutá
tá garantido o sucesso.
Venda tudo quanto tem
junte o último vintém
bote tudo num comérço.

Apôis num é qu'eu caí
na conversa do safado!
Tudo qu'eu tinha vendi:
12 cabeça de gado
meu cavalo corredor
enxada, cultivador
a espingarda, o borná
pato, galinha, guiné só num vendi a muié
porque ninguém quis comprá.

Peguei o dinheiro todo
emburaquei pra cidade;
No armazém de Haroldo
comprei troço em quantidade.
Paguei, num pedi favô
uns trocado que sobrô
dei de irmola a uma cega
voltei todo chêi de asa
e botei na minha casa
o diabo duma budega.

Os primeiro quinze dias
foram até bem controlado
fui pegano freguesia
aqui, ali um fiado;
Quando um dia João Vermêi
vei me dá outro concêi
mode eu comprá um peru
pra mode fazer um bingo
dizeno assim: -No domingo
você triplica o tutu.

Mais uma vez eu entrei
na conversa do safado
a ele mesmo comprei
um peru gordo, cevado.
E na manhã do domingo
começaro o tal do bingo
sem ninguém saber marcá
me acreditem vocês
doze caba duma
vez batero tudim iguá.

Frechô mais ó meno uns dez
mode pegá o peru
o bicho meteu dos pés
fazendo gulu-gugu.
Maria, minha muié
tava fazeno um café
de cóca, numa panela
quando o peru avistô
fez frechêro e se socô
debaixo da saia dela.

Nisso os caba foi chegano
tudo de cacete armado
e o peru se socano
Maria gritô cuidado!
Era Maria gemeno
e o cacete comeno;
No meio do vaivém
eu peguei um tamborete
entrei no mei dos cacete
quase me lasco também.

Me dero uma tabacada
Por cima do pé d'ouvido.
Levei mais outra paulada
caí no chão estendido;

Nisso chegô um negão
com um cacete na mão
prantô no meu fevereiro
pegou no meu espinhaço
só num quebrô meu cabaço
porque eu pulei ligeiro.

A minha fia, Zefinha
na hora da confusão
tava cuma canarinha
brincano, lá na oitão;
Acunharo ela na vara
a pobre limpano a cara
correu num choro danado
chegô com uma gaiola
e o passarim de fora
todo desparafusado.

Depois da briga acabada
todo mundo ensanguentado
o peru não valia nada
tava todo esfarelado;
E eu de cabeça inchada
por causa das cacetada
que os caba dero em mim.
Hoje se alguém vier dá
conselho mode eu tomá
eu vou digo: olhe o dedim!


"E VIVA A ARTE DO MEU POVO!"

sexta-feira, 19 de março de 2010

Bule-Bule - O Maior Representante Da Cultura Popular Da Bahia



O homenageado de hoje já é uma lenda. Sem medo de errar garanto que é o grande representante da Cultura Popular da Bahia.
Nosso Bule-bule, é conhecido em todos os estados do Brasil e até fora dele, como artista popular de qualidade.
E aqui vale mais uma vez a crítica, nosso país não valoriza os nossos verdadeiros gênios como deveria, Bule-Bule é desses que deveria está no holl da fama e ganhando em dinheiro o que ele vale. Mas isso é um sonho em um país que boa parte da população prefere valorizar programas televisivos de “conteúdo” como o Big Brother Brasil, da RedeGlobo.
Fica aqui o meu repúdio a esse comportamento!
E fica aqui também a minha parte nesse meu sonho de valorização da nossa brasilidade brasileira, da nossa verdadeira riqueza com “ A Arte Do Meu Povo”.

Conheça agora um pouco mais do nosso homenageado de hoje Bule-Bule da Bahia...
O site oficial de Bule-Bule o http://www.bulebule.com.br/ apresenta o artista assim...


“Antônio Ribeiro da Conceição, nome artístico Bule Bule, nascido em 22 de outubro de 1947, na Cidade de Antônio Cardoso no Estado da Bahia, musico, escritor, compositor, poeta, cordelista, repentista, Ator e cantador.Ao longo dos seus mais de trinta e oito anos de carreira gravou seis Cd’s (Cantadores da Terra do Sol, Série Grandes Repentistas do Nordeste, A fome e A vontade de Comer, Só Não Deixei de Sambar, Repente Não Tem Fronteiras e Licutixo), quatro livros editados (Bule Bule em Quatro Estações, Gotas de Sentimento, Um Punhado de Cultura popular, Só Não Deixei de Sambar), mais de oitenta cordeis escritos, participação em vários seminários como palestrante, varias peças teatrais e publicitárias agraciadas pelo Prêmio Colunista. Milhares de apresentações durante a sua carreira. Atualmente ocupa o cargo de Gerente de Cultura da Prefeitura Municipal de Camaçarí, diretor da Associação Baiana de Sambadores e Sambadeiras do Estado da Bahia e da Ordem Brasileira dos Poetas da Literatura de Cordel. Recentemente foi premiado com o Prêmio Hangar De Música no Rio Grande do Norte junto com Margaret Menezes e Ivete Sangalo.”



Agora um pouco da arte dessa lenda baiana...

Mamãe Deu um a Zero na Pobreza
Traz a Vida Escoltada Até Agora
Autor:Bule Bule


A coivara do atrazo incendiava
No sertão emprego nem empresa
Vinte e quatro era o ano que passava
Mamãe deu a zero na pobreza
Minha avó a dor mamãe nasceu
Emprestou tudo quanto apareceu
A caxumba, o sarampo, a catapora
Foi difícil de escapar, mais escapou
Fez o “V” da vitória e vigorou
Traz a vida escoltada até agora.

Todo santo do céu foi convocado
Por vovô para arranjar defesa
Minha avó trabalhava no roçado
Mamãe deu um a zero na pobreza
Da antiga Amburana ao Bem - viver
Proibiram as nuvens de chover
Mas o sol esquentava antes da hora
Quem nasceu pra viver não morre cedo
Minha mãe enfrentou tudo sem medo
Traz a vida escoltada até agora

Quando a boca esquentava ela corria
Obrigava o destino a ter surpresa
Baseada nas curvas em que fazia
Mamãe deu um a zero na pobreza
Modelava cerâmica pra vender
Costurava e comprava e comer
Foi e é o consolo de quem chora
Tem abrigo pra quem lhe procurar
Aprendeu a padecer sem reclamar
Traz a vida escoltada até agora

Percorreu vasto trecho nordestino
Vendo tudo que havia de grandeza
Fez xarope, rezou, pegou menino
Mamãe de um a zero na pobreza
Muitas vezes se encontra pela rua
Afilhado ou afilhada sua
Que pergunta, como vai a senhora?
Gostei muito de poder lhe abraçar
E dizer bem feliz se precisar
Traz a vida escoltada até agora

Pra chamar a saúde mãe precisa
Folha verde oração e vela acesa
Volta a paz sua prece suaviza
Mamãe deu um a zero na pobreza
Transformou o pagão em batizado
Conhecido virou seu afilhado
Sempre chama a comadre de senhora
Quem estiver ao seu lado tem parceira
Uma pratica assistente, uma enfermeira
Traz ávida escoltada até agora

Quando am morte quis cortar o sorriso
De um príncipe dos seus ou uma princesa
“Tu respeita menino que eu batizo”
Mamãe deu um a zero na pobreza
Foi no quarto ligeiro acendeu vela
Viu a cara da morte e disse a ela
Peço em nome de Deus que ba embora
Superou toda crise do sertão
Pois a morte amarrada no morão
Traz a vida escoltada até agora.

Se casou muito nova a heroína
Pra ao sertão isso ai não é surpresa
Mesmo sendo casada uma menina
Mamãe deu um a zero na pobreza
De criança somente teve três
Eu sou um dos meninos que ela fez
Inda moro na casa que ela mora
O protótipo de mulher nordestina
Recebendo este troféu zeferina
Traz a vida escoltada até agora


Castro Alves no Céu Sente Saudade do Batente da Casa Onde Nasceu
Autor: Bule Bule


Natural do distrito Curralinho
Porém sendo a Fazenda Cabaceiras
Num lugar de Ingá e de Jaqueira
Tendo o Paraguaçu encostadinho
Recebeu de seus pais todo carinho
Foi amado por quem o conheceu
Muito belo os poemas escreveu
Para ir declamar na eternidade
Castro Alves no céu sente saudade
Do batente da casa onde nasceu.

Oh Ceceu peça a Deus e venha a terra
Ver o povo que fala no seu nome
Com pequeno salário e muita fome
Com ganância política escândalo e guerra
Eu que sou lá da serra
Com a inspiração que Deus me deu
Faço este poema que é seu
Descrevendo o seu dom e a bondade
Castro Alves no céu sente saudade.
Do batente da casa onde nasceu

Quixambeira Coção e Mão Divina
Conceição do Almeida e Cruz das Almas
Muritiba perdeu todas as calmas
Por seu filho de alma cristalina
Será a pomba da paz mais nordestina
Que a arma da sorte abateu
Viu o pão do amor mais não comeu
Nem provou o alpiste da amizade
Castro Alves no céu sente saudade
Do batente da casa onde nasceu.

Se o escravo chorava, ele sofria,
Padecia se o escravo apanhava
Tinha ódio demais de quem comprava
Tinha raiva mortal de quem vendia
Tinha sempre na sua teoria
Não presta quem comprou nem quem vendeu
Liberdade ele sempre defendeu
E morreu cedo sem ver a Liberdade
Castro Alves no céu sente saudade
Do batente da casa onde nasceu.


Em Recife São Paulo Salvador
Sua língua foi lâmina afiada
Sua voz estrondou como granada
Para ensurdecer o opressor
Hoje o nosso poeta defensor
Está muito feliz com Galileu
Com o tempo o Pelourinho morreu
E nasceu um pé de tranqüilidade
Castro Alves no céu sente saudade
Do batente da casa onde nasceu.


A Parteira
Autor: Bule Bule


Mamãe é véia parteira
Tem mais de cem afiado
Menino pra dá recado
Lá em casa é o que não farta
Uns traz noticia pra ela
Mãe panha um ovo e entrega
Pai vai beber nas budega
Eles fica no terreiro
Mãe acende o candeeiro
E prosa inté a noite arta
Mãe é daquelas parteira
Sem curso, do interior
Mas dá lição em doutor
Sabe mais que enfermeira
Zela bem do inocente
Cuida da parturiente
Não quer nem que diga oi
E só quer por recompensa
Que um passe e diga bença
Pra dizer Deus te abençoe
Mãe só não tá satisfeita
É com muito governo ingrato
Mostrando que não respeita
O eleitor lá do mato
Cobra os imposto comprido
Deixando os pobre detido
Votando sem ter direito
Candidato a ser defunto
Por esse e outros assunto
Mãe comenta desse jeito
Se agente mandar doutor
Trabalhar nestas ladeira
Eu dou meu pescoço as forca
Como a num tem um que queira
Deixam nas maternidade
Nas casa de caridade
Inamps, Inps
E quem vota e paga imposto
Eles passa e vira o rosto
Vê, mais faz que nem conhece
Cada uma acuma eu
Já sarvou mais de cem vida
Em troca não recebeu
Nem um prato de comida
Arguma coisa que vem
Para os pobre que não tem
Lá na cidade se some
Imposto é a recompensa
Parece que o governo pensa
Que gente pobre não come
Eu a semana passada
Terça a noite me acordei
Embaixo de trovoada
Mesmo assim me alevantei
Era compadre Jacinto
Muiado que nem um pinto
Batendo os quexo de frio
Disse, cumade, se aprume
Pega as coisa e se arrume
Pro moi de pegá meu fio
Os galo já miudava
A noite tava serrada
E pra onde ele morava
Era uma légua puxada
Peguei um taco de fumo
Da grossura de um prumo
Que tem quilo e meio de peso
Dei té mais ao meu marido
E fui ver o recém-nascido
Na região do desprezo
O escuro era uma grade
Que a nossa visão prendia
Nem eu via meu cumpade
Nem meu cumpade me via
Comecemo viajar
Ele pegou conversar
Cumade, por gentileza
Me diga se lhe agrada
Levantar de madrugada
Pra pegar fio da pobreza
A veia lavou o peito dizendo
Cumpade, isso é o meu carma
Não me incomoda em nada
Parturiente me chama
Porque está precisada
Em noite clara ou escura
Quarquer uma criatura
Sabe que conta comigo
O que me agrada é ver
Uma criança dizer
Bença minha mãe de umbigo
Morre muito mais menino
Nascido em maternidade
Do que os pescoço fino
Da nossa localidade
E a mãe não faz pré natá
Nunca vai a um hospitá
Passa inté dia em jejum
Se é descuido eu não sei
Mas, dos cem que eu já peguei
Inda não morreu nenhum



Não deixe de fazer uma visita ao site oficial de Bule-Bule, tenho certeza de que você gostará do que vai encontrar lá.

“E VIVA A ARTE DO MEU POVO!”

quinta-feira, 18 de março de 2010

Nivaldo Cruz Em Vado Do Véi Pêdo E A Lenda Da Sapucaia-Roca



Eis aqui mais uma lenda brasileira em verso popular, de minha autoria e como as outras inspirada nas pesquisas do Grande Brasileiro CÂMARA CASCUDO.
Espero que você goste, comente e indique o nosso blog para os amigos. Pois, a intenção é que ele seja um espaço de valorização da nossa cultura, nossa brasilidade brasileira, tão deixada de lado e esquecida pelos grandes meios de comunicação.
Por fim, só dizer que: o povo que não valoriza sua cultura jamais poderá conhecer o verdadeiro sentido do que é ser uma nação.


Vado Do Véi Pêdo E A Lenda Da Sapucaia-Roca
(Nivaldo Cruz)


Agradeço mais uma vez
A presença dos doutores
Pra apreciar a contada
De um causo pros senhores.
Causo de povo da gente
Desse Brasil de glamores.

País de muitas histórias
De um povo varonil
Só de lendas sei contar
Tem muito mais de mil
De Causos nem conto.
Esse é o precioso Brasil.

Essa que vou lhe contar
Foi no Norte que aconteceu
Uma povoação existia
Mais depois desapareceu
Vossas mercês vão agora
Saber o que se sucedeu.

No norte bem pertinho
Nas margens do Rio Madeira
Viviam os Muras
Gente muito festeira
Pior que também
Era má e desordeira.

Nas noites de festa
Em honra ao Deus Tupana,
Entregavam-se de corpo
A dança lasciva e profana
Cantava cantigas impuras
De forma muito mundana.

Fazendo assim
Os Angaturanas chorar,
Estes eram espíritos
Com a nobre missão de velar
Pelo bem de todos
Os viventes do lugar.

Os bons espíritos
Choravam de tanta dor
Por ver o seu povo
No descaminho do amor
Fazendo o errado
E dando total valor.

Muitas vezes os velhos
Pajés assim inspirados,
Advertiam o povo
Sobre os Deuses irados
Dizendo pra eles
Pararem com os pecados.

Mas como sempre
Nesses casos acontece
Ninguém ouviu
Dos pajés as prece
E continuou a bandalheira.
O que será que merece?

Agora o senhores vão ver
O que foi que aconteceu
Com aquele povo que
Os deuses desobedeceu.
Fui uma lição.
Será que se aprendeu?

Cegos e surdos de pecado
Os Muras nada ouviam
Do que os velhos pajés
Gritando lhes diziam
O fim estava chegando
E o pior, eles não viam.

Então aconteceu
Tudo em um grande dia
Quando todos em festa
E esta festa muito fervia,
Faziam de tudo,
Todo o tipo de orgia.

Mas que de repente
A terra todinha tremeu
As águas se ergueram
O chão entonse rompeu
A povoação imergiu
E os povo desapareceu.

Altas barrancas
Ainda hoje no rio há
Atestando a profundidade
Do abismo no dito lugar
E comprovando
A tá lenda dos Muras de lá.

Muito tempo depois
Começou então a surgir
A atual povoação
Que hoje existe por ali,
Mas o tal grau de esplendor
Não conseguiu atingir.

Os Muras voltaram
Então a habitar o lugar,
E nas noites escuras
Começaram a escutar,
Transidos de medo,
Muitos galos a cantar.

Os cantos sonoros
Vinham do fundo de lá
Bem do fundo do rio
Naquele grande penar
Cantando e chorando
Pra todos, a sorte má.

Os pajés consultados
Deram assim o esclarecer
Que aquilo que ouvia
Todos antes do amanhecer
Eram os Angaturanas, vindo os
Filhos dos Muras proteger.

Se serviam assim
Dos galos despertador
Da Sapucaia-Rouca
Que no Rio se afundou
Sendo assim uma aviso
Pra aqueles que aqui ficou.

Pra que estes
Não caiam no mesmo mal
Por isso cantando
Eles dão a todos o sinal
Advertindo que dos
Deuses eles tem o tal aval.

Vado do Véi Pêdo
Foi quem tudo me contou
Dessa lenda do norte
E também a mim demonstrou,
Tá interessado em descobrir
Da povoação o que sobrou.

Na próxima viagem
Ele até muito falou
Que fizer pro norte
Já tudo adiantou
Que vai procurar
Onde tudo se afundou.

Quem sabe num encontra
Ouro e riquezas por lá.
Faz fortuna depois
Vem diretinho pra cá
Cheio da grana
Pensando até em se casar.

Num sei prezados,
Como tudo vai acabar.
Essa nova aventura
Depois prometo contar.
Se Vado vai mesmo
E o que é que vai achar.

Só sei que aqui
Eu prus senhores contei
Mais uma história
E não foi daqueles Reis
Foi lenda do meu Brasil
A terra prometida da vez.

De novo eu quero
Um pedido lhe fazer
Procure nossas
Histórias conhecer.
Câmara Cascudo.
Aconselho, comece a ler.

E se apaixone
Por essa terra sem igual
Pais que tem de tudo
Esse Brasil nacional.
O estrangeiro tem valor,
Tem, mas o nosso é anormal.



“E VIVA A ARTE DO MEU POVO!”

quarta-feira, 17 de março de 2010

Poeta Otacílio Um Dos Gênios Dos Batista



Se fosse homenagear quem merece nesse mundo da arte popular teria que se colocar um canal de TV com 24 horas de programação só para isso, uma emissora de rádio só para isso, um jornal com tiragem ilimitada só para isso. É muita gente boa que o Brasil tem a obrigação de conhecer e reverenciar, são pessoas que viveram e vivem para mostrar como é bom e belo ser brasileiro. Por isso, humildemente, o nosso ”A Arte Do Meu Povo” está aqui. Hoje é com honra que homenageamos um dos grandes poetas brasileiros, Otacílio Batista, e claro que não sô só eu que digo isso, quem conhece a arte de Otacílio sabe disso, até o poeta Manoel Bandeira reconheceu o valor dele e de seus irmãos.

Então, pra você um pouco de Otacílio Batista...

Pra começar o site http://poemia.wordpress.com/2008/08/04/otacilio-batista-patriota-biografia/ trás essa bela biografia do Poeta.


“Otacílio Batista Patriota - Poeta repentista, o mais novo dos três famosos irmãos Batista (além dele, Louro e Dimas), Otacílio Batista Patriota nasceu a 26 de setembro de 1923, na Vila Umburanas, São José do Egito, sertão pernambucano do Alto Pajeú.
Filho de Raimundo Joaquim Patriota e Severina Guedes Patriota, ambos paraibanos, Otacílio participou pela primeira vez de uma cantoria em 1940, durante uma Festa de Reis em sua cidade natal. Daquele dia em diante, nunca mais abandonaria a vida de poeta popular.
Em mais de meio século de repentes, participou de cantorias com celebridades como o Cego Aderaldo e outros. Conquistou vários festivais de cantadores realizados nos estado de Pernambuco, Ceará, Rio de Janeiro e São Paulo.
Entre os folhetos de Cordel que Otacílio publicou estão os seguintes: A Morte do Ex-Governador Dix-Sept Rosado; Versos a Câmara Cascudo; Peleja de Zé Limeira com Zé Mandioca; Peleja do Imperador Pedro II com o Rei Pelé. Todos consagrados junto aos leitores nordestinos.
Otacílio Batista publicou, ainda, vários livros. Entre os quais, destacam-se: Poemas que o Povo Pede; Rir Até Cair de Costas; Poema e Canções; e Antologia Ilustrada dos Cantadores, este último com F. Linhares. Versos de Otacílio foram musicados pelo compositor Zé Ramalho, dando origem à canção “Mulher Nova Bonita e Carinhosa”, gravada inicialmente pela cantora Amelinha e depois pelo próprio Zé Ramalho. A canção foi tema de uma filme brasileiro sobre Lampião, o Rei do Cangaço.
Otacílio Batista Patriota morreu a 05 de agosto de 2003, na cidade de João Pessoa, Paraíba.

:: Otacílio Batista segundo o poeta Manuel bandeira

Depois de ouvir Otacílio Batista cantar durante um festival de violeiros realizado no Rio de Janeiro, o poeta Manuel Bandeira os seguintes versos:

Anteontem, minha gente,
Fui juiz numa função
De violeiros do Nordeste
Cantando em competição,
Vi cantar Dimas Batista,
Otacílio, seu irmão,
Ouvi um tal de Ferreira,
Ouvi um tal de João.
Um a quem faltava um braço
Tocava cuma só mão;
Mas como ele mesmo disse,
Cantando com perfeição,
Para cantar afinado,
Para cantar com paixão,
A força não está no braço,
Ela está no coração.
Ou puxando uma sextilha,
Ou uma oitava em quadrão,
Quer a rima fosse em inha
Quer a rima fosse em ao,
Caíam rimas do céu,
Saltavam rimas do chão!
Tudo muito bem medido
No galope do Sertão.
A Eneida estava boba,
O Cavalcanti bobão,
O Lúcio, o Renato Almeida,
Enfim toda comissão.
Saí dali convencido
Que não sou poeta não;
Que poeta é quem inventa
Em boa improvisação
Como faz Dimas Batista
E Otacílio seu irmão;
Como faz qualquer violeiro,
Bom cantador do Sertão,
A todos os quais humilde
Mando minha saudação “


Aqui dois dos muitos belos trabalhos do Poeta Otacílio Batista...


MULHER NOVA, BONITA E CARINHOSA
FAZ O HOMEM GEMER SEM SENTIR DOR
Otacílio Batista
(1923 São José do Egito/Pernambuco - 2003 João Pessoa/Paraíba)


Numa luta de gregos e troianos
Por Helena, a mulher de Menelau,
Conta a história de um cavalo de pau
Terminava uma guerra de dez anos
Menelau, o maior dos espartanos
Venceu Páris, o grande sedutor,
Humilhando a família de Heitor
Em defesa da honra caprichosa.
Mulher nova, bonita e carinhosa
Faz o homem gemer sem sentir dor.

Alexandre figura desumana,
Fundador da famosa Alexandria
Conquistava na Grécia e destruía
Quase toda a população tebana,
A beleza atrativa de Roxana
Dominava o maior conquistador;
E depois de vencê-la, o vencedor
Entregou-se à pagã mais que formosa!
Mulher nova bonita e carinhosa
Faz um homem gemer sem sentir dor.

A mulher tem na face dois brilhantes,
Condutores fiéis do seu destino;
Quem não ama o sorriso feminino
Desconhece a poesia de Cervantes,
A bravura dos grandes navegantes,
Enfrentando a procela em seu furor,
Se não fosse a mulher, mimosa flor,
A história seria mentirosa!
Mulher nova, bonita e carinhosa
Faz o homem gemer sem sentir dor.

Virgulino Ferreira, o Lampião
Bandoleiro das selvas nordestinas,
Sem temer a perigo nem ruínas,
Foi o rei do cangaço no sertão;
Mas um dia sentiu no coração,
O feitiço atrativo do amor;
A mulata da terra do condor
Dominava uma fera perigosa!
Mulher nova, bonita e carinhosa
Faz o homem gemer sem sentir dor

Na velhice, o sujeito nada faz...
A não ser uma igreja que visita;
Mas, se acaso encontrar mulher bonita,
Ele troca Jesus por Satanás;
Pensa logo no tempo de rapaz,
Diz pra ela: "Me ame, por favor"
A reposta que vem : "é não Senhor
Sua idade passou, deixe de prosa".
Mulher nova, bonita e carinhosa
Faz o homem gemer sem sentir dor


COISAS DO SERTÃO
Otacílio Batista
(1923 São José do Egito/Pernambuco - 2003 João Pessoa/Paraíba)


Ao romper da madrugada,
um vento manso desliza,
mais tarde ao sopro da brisa,
sai voando a passarada.
Uma tocha avermelhada
aparece lentamente,
na janela do nascente,
saudando o romper da aurora,
no sertão que a gente mora
mora o coração da gente.

O cantador violeiro
longe da terra querida,
sente um vazio na vida,
tornando prisioneiro,
olha o pinho companheiro,
aí começa a tocar,
tem vontade de cantar,
mas lhe falta inspiração.
Que a saudade do sertão
faz o poeta chorar.



"E VIVA A ARTE DO MEU POVO!"

terça-feira, 16 de março de 2010

O Bom Pernambucano Antonio Nóbrega




Se tem uma pessoa que vive de divulgar a cultura brasileira, essa pessoa é o músico, poeta, dançarino, ator, cantor, pesquisador da cultura brasileira, pernanbucano arretado, Antonio Nóbrega. Com seus shows e discos dentre outros trabalhos, ele leva a brasilidade brasileira para o Brasil e o Mundo. Por isso nossa homenagem de hoje vai para esse grande artista brasileiro.

E sobre ele o wikipedia fala:

Antonio Carlos Nóbrega (Recife, 2 de maio de 1952) é um artista e músico brasileiro.
Filho de médico, estudou no Colégio Marista do Recife. Aos 12 anos ingressou na Escola de Belas Artes do Recife. Foi aluno do violinista catalão Luís Soler e estudou canto lírico com Arlinda Rocha.
Com sua formação clássica, começou sua carreira na Orquestra de Câmara da Paraíba em João Pessoa, onde atuou até o final dos anos 60. Na mesma época participava da Orquestra Sinfônica do Recife, onde fazia também apresentações como solista.
Como contraponto à sua formação erudita, Antonio Nóbrega participava de um conjunto de música popular com suas irmãs. "Só que a música popular que eu compunha e tocava era a das rádios e da televisão: Beatles, Jovem Guarda, a nascente MPB, Caetano Veloso, Edu Lobo".
Em 1971 Ariano Suassuna procurava um violinista para formar o Quinteto Armorial e, após ver Antônio Nóbrega tocando um concerto de Bach, lhe fez o convite que mudaria completamente sua carreira musical.
Antônio Nóbrega, que até essa ocasião tinha pouco conhecimento da cultura popular, passou a manter contato intenso com todas suas expressões como os brincantes de caboclinho, de cavalo-marinho e tantos outros, que passou a conhecer e pesquisar.
Nóbrega revelou-se um fenômeno, ao conseguir unir a arte popular com a sofisticação. É, literalmente, um homem dos sete instrumentos, capaz de cantar, dançar, tocar bateria, rabeca, violão etc. Realizou espetáculos memoráveis em teatros do Rio de Janeiro e de São Paulo, com destaques para Figural (1990) e Brincante (1992). Figural é um espetáculo em que Nóbrega, sozinho no palco, muda de roupa e de máscaras para fazer uma das mais ricas demonstrações da cultura popular brasileira e mundial.
Terminou em 12 de novembro de 2006 a temporada paulistana do espetáculo 9 de Frevereiro, e, em seguida, iniciou a temporada carioca. Este espetáculo, cujo nome é uma alusão ao carnaval pernambucano e um trocadilho com frevo, explora várias formas de se tocar frevo: com uma orquestra de sopro, com um regional, com violino e percussão etc. Também há várias das formas de se dançar frevo: com apenas um dançarino (Nóbrega) em passos estilizados de dança moderna, com vários dançarinos em passos de frevo, com e sem sombrinha e até o público todo, em ciranda de frevo. Como não poderia faltar em um espetáculo enciclopédico sobre o frevo, há pelo menos dois momentos didáticos: em um a orquestra explica várias modalidades e costumes do frevo, e Antonio Nóbrega ensina uma pessoa da platéia a dançar frevo (fazer o passo).
Nóbrega é praticamente desconhecido na televisão do Brasil. Apesar disso, seus espetáculos são extremamente concorridos.”

Antonio Nóbrega tem um site muito legal, vale a pena você ir até lá e conhecer mais do seu trabalho. O endereço do site é: www.antonionobrega.com.br/

Agora um pouco desse trabalho desse maravilhoso universo cultural que é Antonio Nóbrega...


COCO DA LAGARTIXA
Domínio Público - Adaptação de Antonio Nóbrega e Wilson Freire

Eu vi uma lagartixa,
e ela era comportada,
- Redondo Sinhá.
Saía à boca da noite,
chegava de madrugada,
com a saia na cabeça,
soluçando embriagada.
Com a saia na cabeça,
- Redondo Sinhá,
soluçando embriagada.
- Redondo Sinhá.

Eu vi outra lagartixa
num coco de embolada,
negava ser Mulher-Dama
mas depois de três bicadas
me pegou assim d'um jeito,
me matou de umbigada!

Eu vi uma lagartixa,
ai, estava na janela,
ai, dizendo que era honrada,
que era moça donzela.
Vi quatro calangos verdes:
todos eram filhos dela!

Eu vi outra lagartixa,
essa era uma Senhora.
Passava a noite no samba,
cachimbava a toda hora,
dizia pro seu marido:
"é duro trabalhar fora!"

Eu vi uma lagartixa,
que na lagoa morou.
Que sonhava ser princesa
por um sapo apaixonou-se,
beijou ele a vida inteira:
ele não desencantou!

Eu vi outra lagartixa
tomando banho de açude.
O açude estava cheio,
fui banhar-me mas não pude,
ela sujou toda água,
ainda ficou cheia de grude!

Eu vi uma lagartixa
enganar pato e guiné,
teve um filho de uma pulga,
outro de um bicho-de-pé,
doze de uma cobra d'água,
vinte e três de um jacaré!

Eu vi outra lagartixa
que queria se casar.
Me pediu em casamento
mas mamãe jurou não dar.
Ela fugiu com papai,
suas filhas eu fui criar!

Eu vi uma lagartixa
ai, estava no meio da feira,
tinha pra mais de cem netos,
jurava que era solteira.
Perguntei a sua idade,
me negou a vida inteira!

Eu vi outra lagartixa
na varanda de um sobrado,
ela estava namorando
junto com seu namorado,
assentada na cadeira
e o rabão dependurado!

Quem 'ver' uma lagartixa
no sertão, mata ou no mar,
entregue logo pra ela
um pandeiro ou um ganzá,
que ela canta esse coco
do jeito que eu ouvi lá!


"E VIVA A ARTE DO MEU POVO!"

segunda-feira, 15 de março de 2010

MARLUCE LINIKER UMA ARTISTA DE FEIRA DE SANTANA,DA BAHIA, DO BRASIL , DO MUNDO



NA DÉCADA DE 70 FEIRA DE SANTANA GANHOU, E O MUNDO TAMBÉM, UMA ARTISTA SENSACIONAL, DONA DE UM TRAÇO ÚNICO E DE UMA PERSONALIDADE FORTE. MARLUCE LINIKER É UMA ARTISTA PLÁSTICA QUE ALÉM DE FAZER RETRATOS DE PESSOAS COM MAESTRIA, TRÁS EM SEUS TRABALHOS ALEGRIA, CRÍTICA SOCIAL E O DESEJO DE UM MUNDO MELHOR.
AQUI NOSSA HOMENAGEM A ESSAGRANDE ARTISTA, QUE É A PRIMEIRA HOMENAGEM DO “ A ARTE DO MEU POVO” A UMA ARTISTA QUE NÃO TRABALHA DIRETAMENTE COM A ARTE POPULAR E TAMBÉM A PRIMEIRA MULHER A SER HOMENAGEADA AQUI. MAS ELA MERECE TUDO ISSO.
CONHEÇA AQUI UM POUCO DO TRABALHO DESSA GRANDE ARTISTA FEIRENSE:








domingo, 14 de março de 2010

Nivaldo Cruz E A Lenda Do Corpo Santo



Hoje “A Arte Do Meu Povo” trás mais um trabalho meu, ainda da série das Lendas Brasileiras inspirada, nas pesquisas de Câmara Cascudo.


A Lenda Do Corpo Santo
Nivaldo Cruz


Ói eu de novo aqui
Nesse terreiro meu patrão
Pru mode trazer
As lenda do nosso sertão.
Pra vois micê saber o
Porque das coisas como são.

Vado do véi Pêdo
Noutra viagem que ele fez
Me contou uma lenda
E foi Mais de uma vez
É essa lenda que conto
Agora pra vois miceis.

Essa lenda é lá do Recife
De Pernambuco a capital
Terra de maravilhas
Gente boa, etecétera e tal
E essa estória ou lenda
Tem um que de especial.

A Igreja de São Pedro Gonçalves
Ou igreja do Corpo Santo
Foi demolida em 1913
Faz um tempão em tanto
Mas porém traz,
Uma história de encanto.

Contaram o povo mais velho
Ao Vado do Véi Pêdo
Esse então me contou
Sem querer fazer medo
Que antes dos holandeses
Aportar ali, sem segredo.

Numa noite chuvosa
Foi que tudo aconteceu.
No Convento do Carmo
Um velhinho apareceu
Pedindo acolhimento
Mas o porteiro não lhe deu.

E muito zangado pela ozadia
Gritando um outro lugar
Mandou que o velho
Fosse ligêro procurar.
O pobre ancião
Saiu magoado a chorar.

O Pobre do velhinho
Tava cansado e com fome.
Num tinha nada , nada
Nem mesmo se quer um nome
Já tava todo ingiado de frio
O infeliz e triste home.

Na igreja de São Pedro Gonçalves
Ele gritou e por Deus pediu
Que lhe dessem acolhida.
O porteiro de lá acudiu
Pois teve piedade daquele
Pobre ser vivo, quando o viu.

No meio daquele temporal
O bom Porteiro-sacristão
Quando viu aquela cena
Se encheu de compaixão
Vendo o home naquele estado
Tomou logo a decisão.

Colocou pra dentro
Da igreja aquele pobre
Deu-lhe roupa e comida
Num gesto muito nobre,
Um colchão para dormir,
Só num lhe deu um cobre.

Mas isso também era
O que o pobre menos queria
Dali só queria ver
Bondade na sesmaria,
E se não fosse o sacristão
Isso talvez não veria.

Depois de lá dentro
Ter sua roupa trocada
De já está quentinho
Ter sua sede acabada
E no momento depois
A peste da fome saciada.

O velho em um colchão
Foi se dormir num canto
Bem lá na sacristia,
E daí aconteceu o encanto.
O milagre que até hoje
A todo mundo traz espanto.

Pela madrugada o sacristão
Ao velho foi então acordar
Pra ele uma esmola de
Despedida poder lhe dar.
Quando chegou se assustou, ele não
Tava onde devia estar.

E o espanto maior foi
Que estava em seu lugar
O Senhor Bom Jesus dos Passos uma
Imagem de beleza impár,
O próprio Senhor do Corpo Morto
Era quem estava bem lá.

De onde veio? Quem o fez?
Ninguém sabe, ninguém viu
Houve passos ou barulho?
Se teve ninguém ouviu.
O que se sabe é que o velho
Que ali estava sumiu.

E em seu lugar toda
Vestida de cetim lilás
A bela imagem surgiu
Prata na frente e lá atrás
Era rica e poderosa,
Toda santíssima aliás.

O sacristão quando viu
Todo aquele esplendor
De joelhos caiu
E muito, muito rezou,
O velhinho que ali esteve
Era o próprio Nosso Senhor.

A história logo se espalhou
O povo pra ver, logo correu
O Convento do Carmo disse que
A imagem era direito seu,
Por que foi lá primeiro
Que o velho apareceu.

O caso na justiça
Dos homens logo foi parar
Depois de muito tempo
Foi que foi desenrolar
Era a igreja de São Pedro que
A imagem ia hospedar.

Na antepenúltima
Quinta-feira quaresmar
A imagem tinha de
No Convento pernoitar,
Pra lembrar da noite que não
Quiseram o velhinho aceitar.

Até igreja do Corpo Santo
Em pé ficar, isso existiu.
Hoje ela já não existe mais
Pelas mãos dos homens caiu.
A imagem assim então do
Seu querido lugar saiu.

Na igreja da Madre Deus
Hoje ela muito bem está
Lugar não existindo
Melhor pra imagem ficar.
Na casa que é da mãe
Um filho pode bem morar.

E quem quiser ir ver
O Corpo Santo e ele visitar.
Vá então na Igreja da Madre Deus
É lá que ele vai estar
Com toda a sua beleza
Pra também lhe encantar.

Mais uma lenda
Aqui então eu lhes contei
Pra além de alegrar,
Fazer que vois miceis
Venha saber que
Esse nosso povo tem vez.

Câmara Cascudo
Esse bom brasileiro
Deixou tudo bem escrito
Conhecendo por inteiro
As histórias do meu povo
Escreveu bem certeiro.

Por isso se o bicho
Da curiosidade morder
Procure os livros do mestre,
Correndo comece a ler.
E o valor do nosso Brasil
Você vai bem aprender.

Aqui findo mais uma
Gostosa e boa aventura
Sem nem esquecer
Dessa nossa vida dura
E de como é bom
Cultivar nossa cultura.


"E VIVA A ARTE DO MEU POVO!!!"

sábado, 13 de março de 2010

Patativa Do Assaré - Gênio Brasileiro Do Século XX



Tudo que tinha de ser dito sobre Patativa do Assaré já foi dito, seu valor já foi e é reconhecido por todos aqueles que tem acesso a sua arte de alguma forma. Só resta aqui a nossa singela a mais esse gênio brasileiro do século XX.


Para falar sobre Patativa escolhí as palavras do site http://www.tanto.com.br/Patativa.htm ...

"...Antônio Gonçalves da Silva, dito Patativa do Assaré, nasceu a 5 de março de 1909 na Serra de Santana, pequena propriedade rural, no município de Assaré, no Sul do Ceará. É o segundo filho de Pedro Gonçalves da Silva e Maria Pereira da Silva. Foi casado com D. Belinha, de cujo consórcio nasceram nove filhos. Publicou Inspiração Nordestina, em 1956, Cantos de Patativa, em 1966. Em 1970, Figueiredo Filho publicou seus poemas comentados Patativa do Assaré. Tem inúmeros folhetos de cordel e poemas publicados em revistas e jornais. Está sendo estudado na Sorbonne, na cadeira da Literatura Popular Universal, sob a regência do Professor Raymond Cantel. Patativa do Assaré era unanimidade no papel de poeta mais popular do Brasil. Para chegar onde chegou, tinha uma receita prosaica: dizia que para ser poeta não era preciso ser professor. 'Basta, no mês de maio, recolher um poema em cada flor brotada nas árvores do seu sertão', declamava.
Cresceu ouvindo histórias, os ponteios da viola e folhetos de cordel. Em pouco tempo, a fama de menino violeiro se espalhou. Com oito anos trocou uma ovelha do pai por uma viola. Dez anos depois, viajou para o Pará e enfrentou muita peleja com cantadores. Quando voltou, estava consagrado: era o Patativa do Assaré. Nessa época os poetas populares vicejavam e muitos eram chamados de 'patativas' porque viviam cantando versos. Ele era apenas um deles. Para ser melhor identificado, adotou o nome de sua cidade.
Filho de pequenos proprietários rurais, Patativa, nascido Antônio Gonçalves da Silva em Assaré, a 490 quilômetros de Fortaleza, inspirou músicos da velha e da nova geração e rendeu livros, biografias, estudos em universidades estrangeiras e peças de teatro. Também pudera. Ninguém soube tão bem
cantar em verso e prosa os contrastes do sertão nordestino e a beleza de sua natureza. Talvez por isso, Patativa ainda influencie a arte feita hoje. O grupo pernambucano da nova geração 'Cordel do Fogo Encantado' bebe na fonte do poeta para compor suas letras. Luiz Gonzaga gravou muitas músicas dele, entre elas a que lançou Patativa comercialmente, 'A triste partida'. Há até quem compare as rimas e maneira de descrever as diferenças sociais do Brasil com as músicas do rapper carioca Gabriel Pensador. No teatro, sua vida foi tema da peça infantil 'Patativa do Assaré - o cearense do século', de Gilmar de Carvalho, e seu poema 'Meu querido jumento', do espetáculo de mesmo nome de Amir Haddad. Sobre sua vida, a obra mais recente é 'Poeta do Povo - Vida e obra de Patativa do Assaré' (Ed. CPC-Umes/2000), assinada pelo jornalista e pesquisador Assis Angelo, que reúne, além de obras inéditas, um ensaio fotográfico e um CD.
Como todo bom sertanejo, Patativa começou a trabalhar duro na enxada ainda menino, mesmo tendo perdido um olho aos 4 anos. No livro 'Cante lá que eu canto cá', o poeta dizia que no sertão enfrentava a fome, a dor e a miséria, e que para 'ser poeta de vera é preciso ter sofrimento'.
Patativa só passou seis meses na escola. Isso não o impediu de ser Doutor Honoris Causa de pelo menos três universidades. Não teve estudo, mas discutia com maestria a arte de versejar. Desde os 91 anos de idade com a saúde abalada por uma queda e a memória começando a faltar, Patativa dizia que não escrevia mais porque, ao longo de sua vida, 'já disse tudo que tinha de dizer'. Patativa morreu em 08 de julho de 2002 na cidade que lhe emprestava o nome.”


Aprecie aqui duas deliciosas e magníficas poesias do mestre Patativa:


Cante Lá Que Eu Canto Cá
Patativa do Assaré


Poeta, cantô de rua,
Que na cidade nasceu,
Cante a cidade que é sua,
Que eu canto o sertão que é meu.

Se aí você teve estudo,
Aqui, Deus me ensinou tudo,
Sem de livro precisá
Por favô, não mêxa aqui,
Que eu também não mexo aí,
Cante lá, que eu canto cá.

Você teve inducação,
Aprendeu munta ciença,
Mas das coisa do sertão
Não tem boa esperiença.
Nunca fez uma paioça,
Nunca trabaiou na roça,
Não pode conhecê bem,
Pois nesta penosa vida,
Só quem provou da comida
Sabe o gosto que ela tem.

Pra gente cantá o sertão,
Precisa nele morá,
Tê armoço de fejão
E a janta de mucunzá,
Vivê pobre, sem dinhêro,
Socado dentro do mato,
De apragata currelepe,
Pisando inriba do estrepe,
Brocando a unha-de-gato.

Você é muito ditoso,
Sabe lê, sabe escrevê,
Pois vá cantando o seu gozo,
Que eu canto meu padecê.
Inquanto a felicidade
Você canta na cidade,
Cá no sertão eu infrento
A fome, a dô e a misera.
Pra sê poeta divera,
Precisa tê sofrimento.

Sua rima, inda que seja
Bordada de prata e de ôro,
Para a gente sertaneja
É perdido este tesôro.
Com o seu verso bem feito,
Não canta o sertão dereito,
Porque você não conhece
Nossa vida aperreada.
E a dô só é bem cantada,
Cantada por quem padece.

Só canta o sertão dereito,
Com tudo quanto ele tem,
Quem sempre correu estreito,
Sem proteção de ninguém,
Coberto de precisão
Suportando a privação
Com paciença de Jó,
Puxando o cabo da inxada,
Na quebrada e na chapada,
Moiadinho de suó.

Amigo, não tenha quêxa,
Veja que eu tenho razão
Em lhe dizê que não mêxa
Nas coisa do meu sertão.
Pois, se não sabe o colega
De quá manêra se pega
Num ferro pra trabaiá,
Por favô, não mêxa aqui,
Que eu também não mêxo aí,
Cante lá que eu canto cá.

Repare que a minha vida
É deferente da sua.
A sua rima pulida
Nasceu no salão da rua.
Já eu sou bem deferente,
Meu verso é como a simente
Que nasce inriba do chão;
Não tenho estudo nem arte,
A minha rima faz parte
Das obra da criação.

Mas porém, eu não invejo
O grande tesôro seu,
Os livro do seu colejo,
Onde você aprendeu.
Pra gente aqui sê poeta
E fazê rima compreta,
Não precisa professô;
Basta vê no mês de maio,
Um poema em cada gaio
E um verso em cada fulô.

Seu verso é uma mistura,
É um tá sarapaté,
Que quem tem pôca leitura
Lê, mais não sabe o que é.
Tem tanta coisa incantada,
Tanta deusa, tanta fada,
Tanto mistéro e condão
E ôtros negoço impossive.
Eu canto as coisa visive
Do meu querido sertão.

Canto as fulô e os abróio
Com todas coisa daqui:
Pra toda parte que eu óio
Vejo um verso se bulí.
Se as vêz andando no vale
Atrás de curá meus male
Quero repará pra serra
Assim que eu óio pra cima,
Vejo um divule de rima
Caindo inriba da terra.

Mas tudo é rima rastêra
De fruita de jatobá,
De fôia de gamelêra
E fulô de trapiá,
De canto de passarinho
E da poêra do caminho,
Quando a ventania vem,
Pois você já tá ciente:
Nossa vida é deferente
E nosso verso também.

Repare que deferença
Iziste na vida nossa:
Inquanto eu tô na sentença,
Trabaiando em minha roça,
Você lá no seu descanso,
Fuma o seu cigarro mando,
Bem perfumado e sadio;
Já eu, aqui tive a sorte
De fumá cigarro forte
Feito de paia de mio.

Você, vaidoso e facêro,
Toda vez que qué fumá,
Tira do bôrso um isquêro
Do mais bonito metá.
Eu que não posso com isso,
Puxo por meu artifiço
Arranjado por aqui,
Feito de chifre de gado,
Cheio de argodão queimado,
Boa pedra e bom fuzí.

Sua vida é divirtida
E a minha é grande pená.
Só numa parte de vida
Nóis dois samo bem iguá:
É no dereito sagrado,
Por Jesus abençoado
Pra consolá nosso pranto,
Conheço e não me confundo
Da coisa mió do mundo
Nóis goza do mesmo tanto.

Eu não posso lhe invejá
Nem você invejá eu,
O que Deus lhe deu por lá,
Aqui Deus também me deu.
Pois minha boa muié,
Me estima com munta fé,
Me abraça, beja e qué bem
E ninguém pode negá
Que das coisa naturá
Tem ela o que a sua tem.

Aqui findo esta verdade
Toda cheia de razão:
Fique na sua cidade
Que eu fico no meu sertão.
Já lhe mostrei um ispeio,
Já lhe dei grande conseio
Que você deve tomá.
Por favô, não mexa aqui,
Que eu também não mêxo aí,
Cante lá que eu canto cá.

Triste Partida
Patativa do Assaré


Meu Deus, meu Deus. . .

Setembro passou
Outubro e Novembro
Já tamo em Dezembro
Meu Deus, que é de nós,
Meu Deus, meu Deus
Assim fala o pobre
Do seco Nordeste
Com medo da peste
Da fome feroz
Ai, ai, ai, ai

A treze do mês
Ele fez experiência
Perdeu sua crença
Nas pedras de sal,
Meu Deus, meu Deus
Mas noutra esperança
Com gosto se agarra
Pensando na barra
Do alegre Natal
Ai, ai, ai, ai

Rompeu-se o Natal
Porém barra não veio
O sol bem vermeio
Nasceu muito além
Meu Deus, meu Deus
Na copa da mata
Buzina a cigarra
Ninguém vê a barra
Pois a barra não tem
Ai, ai, ai, ai

Sem chuva na terra
Descamba Janeiro,
Depois fevereiro
E o mesmo verão
Meu Deus, meu Deus
Entonce o nortista
Pensando consigo
Diz: "isso é castigo
não chove mais não"
Ai, ai, ai, ai

Apela pra Março
Que é o mês preferido
Do santo querido
Senhor São José
Meu Deus, meu Deus
Mas nada de chuva
Tá tudo sem jeito
Lhe foge do peito
O resto da fé
Ai, ai, ai, ai

Agora pensando
Ele segue outra tria
Chamando a famia
Começa a dizer
Meu Deus, meu Deus
Eu vendo meu burro
Meu jegue e o cavalo
Nós vamos a São Paulo
Viver ou morrer
Ai, ai, ai, ai

Nós vamos a São Paulo
Que a coisa tá feia
Por terras alheia
Nós vamos vagar
Meu Deus, meu Deus
Se o nosso destino
Não for tão mesquinho
Cá e pro mesmo cantinho
Nós torna a voltar
Ai, ai, ai, ai

E vende seu burro
Jumento e o cavalo
Inté mesmo o galo
Venderam também
Meu Deus, meu Deus
Pois logo aparece
Feliz fazendeiro
Por pouco dinheiro
Lhe compra o que tem
Ai, ai, ai, ai

Em um caminhão
Ele joga a famia
Chegou o triste dia
Já vai viajar
Meu Deus, meu Deus
A seca terrível
Que tudo devora
Lhe bota pra fora
Da terra natá
Ai, ai, ai, ai

O carro já corre
No topo da serra
Oiando pra terra
Seu berço, seu lar
Meu Deus, meu Deus
Aquele nortista
Partido de pena
De longe acena
Adeus meu lugar
Ai, ai, ai, ai

No dia seguinte
Já tudo enfadado
E o carro embalado
Veloz a correr
Meu Deus, meu Deus
Tão triste, coitado
Falando saudoso
Seu filho choroso
Exclama a dizer
Ai, ai, ai, ai

De pena e saudade
Papai sei que morro
Meu pobre cachorro
Quem dá de comer?
Meu Deus, meu Deus
Já outro pergunta
Mãezinha, e meu gato?
Com fome, sem trato
Mimi vai morrer
Ai, ai, ai, ai

E a linda pequena
Tremendo de medo
"Mamãe, meus brinquedo
Meu pé de fulô?"
Meu Deus, meu Deus
Meu pé de roseira
Coitado, ele seca
E minha boneca
Também lá ficou
Ai, ai, ai, ai

E assim vão deixando
Com choro e gemido
Do berço querido
Céu lindo azul
Meu Deus, meu Deus
O pai, pesaroso
Nos filho pensando
E o carro rodando
Na estrada do Sul
Ai, ai, ai, ai

Chegaram em São Paulo
Sem cobre quebrado
E o pobre acanhado
Procura um patrão
Meu Deus, meu Deus
Só vê cara estranha
De estranha gente
Tudo é diferente
Do caro torrão
Ai, ai, ai, ai

Trabaia dois ano,
Três ano e mais ano
E sempre nos prano
De um dia vortar
Meu Deus, meu Deus
Mas nunca ele pode
Só vive devendo
E assim vai sofrendo
É sofrer sem parar
Ai, ai, ai, ai

Se arguma notícia
Das banda do norte
Tem ele por sorte
O gosto de ouvir
Meu Deus, meu Deus
Lhe bate no peito
Saudade lhe molho
E as água nos óio
Começa a cair
Ai, ai, ai, ai

Do mundo afastado
Ali vive preso
Sofrendo desprezo
Devendo ao patrão
Meu Deus, meu Deus
O tempo rolando
Vai dia e vem dia
E aquela famia
Não vorta mais não
Ai, ai, ai, ai

Distante da terra
Tão seca mas boa
Exposto à garoa
À lama e o paú
Meu Deus, meu Deus
Faz pena o nortista
Tão forte, tão bravo
Viver como escravo
No Norte e no Sul
Ai, ai, ai, ai


"VIVA A ARTE DO MEU POVO"